sábado, 7 de novembro de 2009

Mas afinal, em quem é que nós fomos votar?

Ultrapassado o trauma de ver os meus concidadãos votarem da maneira que votaram, privilegiando o voto disperso e chumbando a alternativa PSD/Manuela Ferreira Leite, com o forte e muito sólido argumento de que a “velha” era “antipática” e “salazarenta” e ainda por causa da muito consiste acusação de que PSD, esse perigoso partido neoliberal da “direita radical”, afinal queria era privatizar a Segurança Social, simplesmente porque se esqueceu de escrever no seu programa eleitoral que não a privatizaria. E eis que regressamos aos bons e velhos tempos do parlamento rosa, e dos ministros simpáticos e muito educados como o sempre bem aparecido Augusto Santos Silva. Com uma diferença em relação a 2005, o PS encolheu, e os restantes partidos aumentaram de tamanho…

Entretanto sabe-se agora os números do déficit Português (enfim… mais ou menos, dado que o Sr. Governador Constâncio ainda anda fazer contas para ver ser consegue um número apresentável). Sabe-se o nível de endividamento galopante do estado Português (cada um de nós já deve cerca de 700 Euros). Sabe-se que foram gastos balurdios para “salvar” o BPN e mais outros balurdios em assessorias jurídicas e outras, contratadas a gabinetes de grandes sociedades de advogados e outros, e que levaram uma impressionante fatia do orçamento de Estado (fala-se em mais de 200 milhões de Euros durante a legislatura passada).

Mas o que mais impressionante é o que ainda não se sabe… Vejamos, o computador Magalhães, adquirido à empresa Sá Couto por uns valentes milhões, e ainda não se sabe com base em que procedimento pré contratual (pelo valor da despesa, o ajuste directo seria ilegal). As eleições para os altos cargos da Magistratura aparecem no jornal como sendo politizadas com atribuição de cargos apenas a gente do polvo socialista. O mesmo se passa nas eleições para as reitorias de algumas universidades. Por outro lado, processos judiciais que envolvem socialistas não vêm o seu desfecho (ex. Freeport e Casa Pia), ainda, novos processos aparecem envolvendo socialistas de destaque e em exercício de funções (ex. Face Oculta), enquanto Srs. Procuradores são vistos na rua de braço dado com o Ministro da Justiça.

Por um momento, caros concidadãos, sentem-se numa cadeira, desliguem a TV, e pensem por apenas um segundo… Mas afinal, em quem é que nós fomos votar? E olhem que não foi por falta de aviso…

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As Vulnerabilidades…

Antes do mais, há que dizer, com a máxima sinceridade, que a figura do Senhor Presidente da República merece todo o respeito, é a figura máxima do Estado, a única no nosso sistema democrático que é eleita directamente e de forma independente dos partidos políticos.

Dito isto, importa clarificar outra coisa, a terminologia utilizada ontem pelo Senhor Presidente da República, utilizando expressões como aquela do PS ter “ultrapassado os limites da decência” no tratamento da questão relacionada com as escutas à presidência da República, deixa pouca margem para uma saudável convivência entre Belém e São Bento. Logo agora que o parlamento está fragmentado e dividido como não se via há bastante tempo.

Por outro lado, as dúvidas que levaram o Senhor Presidente da República a chamar especialistas que o informaram que existem vulnerabilidades no sistema de comunicações pela Internet de Belém, é grave e deve ser esclarecido depressa, precisamente porque se trata do mais alto dignitário da Nação. E, a menos que esteja enganado, esse singelo facto motiva preocupações serias de toda a ordem e espécie.

Finalmente, as alegações do Senhor Presidente da República sobre as alegadas tentativas de o PS puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD e de “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos”, são igualmente gravíssimas, dado que, a serem fundadas, e se o Senhor Presidente da República as profere é porque são fundadas, tratam-se de um desrespeito intolerável pela Primeira figura do Estado, além de que, no caso de tal se ter verificado, deixam em aberto a assustadora hipótese de o PS ter sido beneficiado pelo silêncio do Senhor Presidente da República no acto eleitoral.

Tudo somado, penso que as “vulnerabilidades” criadas por esta situação são de tal ordem que vulnerabilizam quer o Senhor Presidente da República, quer o PS, quer os Serviços de Segurança, quer a própria Democracia e o Estado Português. Alguma coisa deve e tem de ser feita para repor o “normal funcionamento das instituições”… Aquela expressão que Sampaio utilizou para demitir Santana Lopes… Estão lembrados?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Marcar passo…

Após as eleições do dia 27 de Setembro, o PS perdeu 25 deputados (de 121 passou para 96), o PSD ganhou 3 deputados (de 75 passou para 78), enquanto que CDS, BE e CDU, obtiveram todos eles, mais deputados que em 2005 (21, 16 e 15, respectivamente). Contudo, apesar de o PS ter visto a sua diferença de deputados para o PSD ser reduzida para a expressão mínima. De uns expressivos 46 para apenas 18, o facto é que foi o partido mais votado nas eleições (para reforçar, diga-se ainda que uma coligação pré-eleitoral CDS/PSD teria ganho as eleições).

Números à parte, o facto é que Portugal vive a mais grave crise social das últimas três décadas. A sucessiva desindustrialização, a destruição da agricultura do país e a sua tercialização, implicou que, neste momento, não há opções para as escolhas económicas e sociais. Como consequência, o número de falências atingiu um recorde absoluto. Segundo os números oficiais, 1/3 dos portugueses trabalha precariamente ou na economia paralela, ou seja, em empresas que não cumprem as suas obrigações fiscais, de Segurança Social ou as regras legais. A taxa de desemprego continua a crescer e está nos 10%: meio milhão de homens e mulheres. O governo do Socialista foi um dos fiéis seguidores da ideologia neoliberal que promove um Estado minimalista. No entanto, no momento da crise, predominou a nacionalização do prejuízo. Nestas eleições e chegada a hora de o governo prestar contas, o PS embora tenha perdido tudo o resto (deputados e maioria absoluta), consegue ainda assim ganhar as eleições. Isso não é normal.

Normal é o crescimento do bloco de esquerda, que sem responsabilidades governativas, se dispensa de explicar a viabilidade económica de alguns pontos do seu programa eleitoral, como a aplicação de uma taxa a incidir sobre o Valor Acrescentado Bruto (VAB) das empresas para reforço da Segurança Social, ou ainda a criação de um Fundo de Solidariedade-Emprego, para o financiamento das prestações relacionadas com a antecipação da idade da reforma, com o desemprego de longa duração e com a situação dos trabalhadores vítimas de deslocalizações de empresas, sendo-lhe afectas as verbas resultantes do combate à evasão e fraude na segurança social e uma dotação específica do Orçamento de Estado; ou ainda, a combinação de medidas de protecção especial no desemprego, como o rendimento social de inserção, com o aumento das pensões sociais e outras que estejam abaixo do nível do Salário Mínimo, ou ainda, um programa de apoios fiscais e subsídios à criação de emprego nos distritos mais atingidos, ou ainda, a redução do horário de trabalho sem perda de direitos nem salário, com o objectivo das 35 horas semanais, e finalmente, a pérola no topo do bolo o desenvolvimento de um “sector de economia social” (auto-organização dos produtores em empresas), apoiado técnica e financeiramente pelo Estado, no qual ficarão inseridas as empresas promovidas por produtores, quer sejam empresas que sucedam a empresas capitalistas em processo de falência ou novas empresas. Mas onde é que eu já ouvi isto?

Assim, enquanto a imprensa alemã destaca hoje o triunfo dos Liberais (FDP) e de Angela Merkel e a derrota histórica dos socialistas Alemães do SPD nas legislativas de domingo, em Portugal, continuamos com uma maioria de esquerda parlamentar que oscila entre o Marxismo-Leninismo, com uma pitada de Trotskismo, e um socialismo capitalista envergonhado com tiques de autoritarismo. Enquanto os Portugueses não se dedicarem a ler os programas eleitorais e a conhecer as propostas de cada partido, Portugal estará novamente ou irremediavelmente adiado. A isto, cada um pode chamar o que quiser… Eu chamo “marcar passo”…

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As Empresas Sondagens… Os putativos donos da “bola de cristal”…

É mais antigo do que o próprio homem… Querer prever o futuro. Era assim no início por questões de sobrevivência. Era importante saber quando ia chover ou quando algum mau olhado caia sobre a nossa família no sentido de, com antecedência se poder antecipar os males que estariam para vir, adoptando medidas preventivas, como por exemplo antecipar uma colheita, ou no outro caso, comprar uma valente marreta para amaciar o ímpeto de algum agressor.

Nos dias de hoje, para além das bruxas e cartomantes, que lidam com as ambições mais básicas dos indigentes que as frequentam, à procura de “dinheiro” e “amor”, temos outro tipo de entendidos nessa coisa de “prever o futuro”: Os senhores das empresas de sondagens.

Ora bem… Quem são eles? Os senhores das empresas de sondagens são uns cavalheiros que fazem umas perguntas giras sobre o sentido de voto de um determinado grupo de pessoas, escolhidas de uma determinada forma muito cientifica, e depois de tudo somado, dizem aquilo que alguém (não sabemos quem) indica ser o que se vai passar depois de umas eleições e, cereja no topo do bolo, ainda metem uns números para dar uma ideia de rigor à coisa. Claro que têm sempre um intervalo de segurança (entre X e Y), no fundo exactamente a mesma coisa que as bruxas e cartomantes fazem… Pode correr “assim”, mas pode correr “assado”, dependendo da opção que cada um tomar…

Mas é exactamente isso… Depende da opção que cada um tomar. É que esta coisa do negócio das “sondagens”, supostamente “rigorosas”, têm, em primeiro lugar, um senão: quem é que as paga? Será que são feitas pela Comissão Nacional de Eleições? É que se não, penso que não serão feitas de borla, o que levanta toda uma série de questões. Por outro lado, dependem da vontade dos eleitores, na hora de fazerem a cruz no boletim de voto, embora quem as encomenda e as divulgue, ainda pense que elas condicionam o eleitor.

É que até essa hora, há sempre os tais “meros” vinte ou trinta por cento de indecisos, e ainda os outros que olham para o símbolo do partido que é responsável pelo marido ou mulher terem perdido o emprego, ou pelo filho bolseiro que não recebe o respectivo apoio há mais de um ano, ou ainda que moram no “deserto da margem sul” ou ainda numa zona do interior que perdeu a maternidade ou o posto médico e subitamente… Põe a cruz em quem pode efectivamente correr com “os que lá estão”… E, nesse caso, o que vale a “bola de cristal” das empresas de sondagens? Vale o que se viu nas eleições Europeias… Rigorosamente nada!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O cérebro é uma coisa maravilhosa. O Mário Crespo devia ter um…

O decano Mário Crespo, jornalista que já admirei no passado pela sua objectividade e isenção (entretanto perdidas), num texto recente em que se dedicava a dar mais um coices em Manuela Ferreira Leite, cita de Karl Marx, na sua introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, a seguinte frase: “A fase final na história de um sistema político é a comédia”.

Pois bem, esse jornalista que já foi grande exemplo de acutilância para os seus pares, hoje está reduzido à mais pobre das sombras de si próprio. Uma espécie de imagem viva da “Alegoria da caverna” que Platão criou no livro VII da sua “República”. Ora a tal “Alegoria” criada por Platão (que em termos de sagacidade metia Sócrates no bolso), pretende exemplificar como nos podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.

Acontece que, com este Mário Crespo, a “luz da verdade” não passa de algo entre uma comédia e um frete a José Sócrates. Mário Crespo contribui com a sua actual postura jornalística para branquear tantas a tantas malandrices (processo PT/TVI; processo Manuela Moura Guedes/TVI; o recente “caso das escutas” que branqueia uma “guerra” entre o Jornal Público e o PS, etc...), que até mete pena ver um tal arauto do jornalismo “independente” assumir tais posturas, sem que, ao menos, Sócrates o escolha para mandatário jornalístico da campanha. Bem sei que, se tal acontecesse, seria certo que Júdice de Sousa teria um ataque de ciúmes… Se calhar o problema é que há muitos a fazer os tais “fretes”… Não é, caro Mário Crespo?

Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das ideias (diánoia e nóesis). Para o filósofo, a realidade está no mundo das ideias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo ilusório das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são mutáveis, corruptíveis, não são funcionais e, por isso, não são objectos de conhecimento.

Ora, caro Mário Crespo, cá vai uma nota para si (que não pretende ser jornalística, pois não me mascaro de jornalista), tente regressar ao mundo da consciência e abandone a sua actual condição de ignorante que vive no mundo ilusório das coisas sensíveis, corruptíveis, e que, portanto, não constituem objecto de conhecimento. É que vivemos um momento eleitoral demasiado importante para os “truques” criados por aqueles que não querem discutir as coisas que prometeram fazer e não fizeram, e agora voltam a prometer de novo. Sabe Mario Crespo, o cérebro é uma coisa maravilhosa. O Mário Crespo devia ter um…

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

José Sócrates – O “bombo” da festa…


A acreditar nos jornais, vida vai negra para o primeiro ministro. Se não vejamos, pensava que agredia impunemente professores, juizes, policias, e outras tantas classes profissionais, e levou com enormes manifestações de protesto na rua.

Pensava que podia aumentar os impostos e assim angariar fundos para fazes brilharetes eleitorais no fim da legislatura e levou com uma crise internacional que o levou a gastar o dinheiro a apoiar uma meia dúzia de empresas, fingindo que apoiava muitas mais.

Pensava que podia contar com o efeito positivo da aldrabice criada pelo seu muito competente Governador do banco de Portugal, que ao contrário do caso BPN, não se esqueceu de ser “diligente” e “incisivo” na hora de fabricar um número convenientemente alto para o déficit deixado pelo Governo do PSD. No entanto levou com um aumento do déficit de mais de 100% (!!!), no final da presente legislatura.

Pensava e disse que ainda não tinha nascido um Primeiro Ministro melhor que ele, e no entanto levou com o Francisco Louçã a lembrar-lhe que, na verdade, ainda não tinha nascido um Primeiro Ministro com um desempenho tão mau, nomeadamente, com o aumento do desemprego para níveis nunca vistos em Portugal, acompanhado pelo crescimento das falências e pela queda abruta do PIB.

Pensava que ganhava as eleições europeias e levou com uma derrota das grandes. Pensava que podia ter autoridade moral para se vitimizar junto dos restantes grupos parlamentares e levou com os “chifres” de Manuel Pinho.

Pensava que podia criar um movimento contra a incomoda Moura Guedes, primeiro através do seu “cão de fila” Marinho Pinto (infeliz bastonário de uma Ordem que já teve Digníssimos Representantes), depois exortando contra uma “campanha negra” promovida pelo jornal da TVI, e finalmente com uma tentativa abortada de compra daquela estação pela PT, e levou com a demissão de Moura Guedes na pior altura, precisamente no momento em que faz mais mal que bem ao PS, precisamente a duas semanas das eleições.

José Sócrates, poderá ser vitima do seu azar, ou até vitima de companheiros (que ele escolheu), como o “chifrudo” Pinho, o “jamais” Lino, a intratável Maria de Lurdes Rodrigues, ou o execrável e agressivo Santos Silva. Uma coisa é verdade, o Primeiro Ministro já é, nesta altura, o “bombo” da festa…

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Caro Senhor Primeiro Ministro


Aceita dar um passeio comigo? Aceita passear como se fossemos duas pessoas normais? Aceita passear como se não se achasse mais que eu?

Gostaria de lhe fazer umas perguntas, se pudéssemos falar com honestidade. Como pode achar que ainda está para nascer o primeiro ministro que faça melhor que o Senhor, quando há cada vez mais desempregados nos centros de (des)emprego. Gostaria de lhe perguntar como é possível esconder do seu povo a verdade sobre tanta coisa. Como dorme à noite quando há tantos pobres nas ruas e tanta gente a perder o emprego?

O que sente quando está a olhar para o espelho? Será que se sente orgulhoso de si, enquanto os restantes de nós choram? Como conseguem andar de cabeça erguida, quando o ensino está cada vez pior, os tribunais deixam de funcionar e a policia deixa os uniformes no chão em frente à Assembleia da República? Consegue ao menos olhar-me olhos nos olhos e dizer-me que se sente bem?

Caro Senhor Primeiro Ministro, foi um menino solitário? Será que é um Primeiro Ministro solitário? É que os seus cartazes dão essa ideia de estar sozinho no meio da multidão. Sabe uma coisa, penso que já deve saber que não somos burros nem cegos, e sabemos o que é viver com o ordenado mínimo e sem contrato de trabalho, ao abrigo do seu novo código do trabalho, que monumento ao trabalhador ele é! Sabemos o que é perder o emprego e o banco ficar-nos com a casa. Sabemos o que é ser velho e não ter condições de sobrevivência porque o dinheiro da reforma não chega.

Senhor Primeiro Ministro, como consegue dizer que ainda não nasceu quem faça melhor que o Senhor e depois dormir à noite? Como consegue andar de cabeça erguida na rua?

Caro Senhor Primeiro Ministro, o Senhor nunca iria dar um passeio comigo… Pois não?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Branqueamento

Ando perplexo com isto… Não é que tenha a ideia de que o meu actual estado psicológico tenha alguma relevância. Contudo, as razões que fundamentam este meu estado de espírito, penso serem do interesse geral.

Trata-se da versão final do relatório que a Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN vai apresentar à Assembleia da República, que conclui que o Banco de Portugal «não ignorou» nem «permitiu» a situação de inviabilidade do banco. Referindo no entanto que o Sr. Governador do Bando de Portugal deveria ter sido mais «incisivo» e «diligente» na sua actuação.

Vamos lá por partes. Facto: O BPN fez de tudo e mais alguma coisa para fugir à legalidade das operações bancárias, desde a criação de empresas em paraísos fiscais, até à venda de produtos de investimento fraudulentos (vendidos como sendo supostamente seguros). Outro facto: O Sr. Governador do Banco de Portugal, afirmou que deu margem de manobra ao BPN pela credibilidade que o Dr. Oliveira e Costa lhe suscitava, como ex-governante e como gestor. Mais um facto: Perante a Comissão de Parlamentar de Inquérito o Sr. Governador do Banco de Portugal disse não ter meios nem competências para fiscalizar os bancos de forma eficaz. Finalmente, facto conhecido por todos: O BCP viveu e vive dias muito infelizes, sabendo-se que havia de tudo nesse banco, incluindo empréstimos “loucos” ao filho de Jardim Gonçalves, que depois foram considerados com sendo incobráveis.

Ora a minha perplexidade reside no seguinte: Se os Bancos seriam, supostamente, entidades “credíveis”, muito embora não o sejam. Se o “Regulador” não tem meios para regular, baseando a sua fiscalização em e-mails com questões e na credibilidade que os banqueiros possam oferecer ao Sr. Governador. Ainda, se o Sr. Governador deveria ter sido mais «incisivo» e «diligente» na sua actuação… Então os senhores deputados do PS (em maioria na comissão), entendem que está tudo bem e que deve ficar tudo na mesma?

Mas vamos lá ver uma coisa, será que o Sr. Ministro Mário Lino anda no mundo da lua, quando reduz a celeuma à volta deste relatório a uma questão de mera vingança politica sobre o Sr. Governador pelo seu papel em “tramar” o PSD com os números das contas públicas? Pensará ele que somos todos tontos? Lembro-me de uma frase publicitária que dizia que certo produto “lavava mais branco”… Hoje em dia parece ser o PS que “lava mais branco”.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os “Chifres” socialistas

Confesso! Sou um tipo distraído... Não consegui identificar o certamente interessante ponto de vista que Manuel Pinho pretendia defender no Parlamento com o frondoso e pictórico par de chifres que o membro do governo socialista montou em si próprio. Mas uma coisa posso dizer, a opinião unânime na sala onde eu me encontrava foi de que os “chifres” lhe assentam muito bem, Manuel Pinho, de facto, faz bem o papel taurino em qualquer uma festa brava deste país. E há tantas por aí nesta altura… Será um erro de "casting"? É que, ou me engano muito, ou temos ali um putativo Ministro da Agricultura!

Posso no entanto tentar adivinhar o tema em discussão no parlamento que terá levado à enfática resposta de Manuel Pinho… Seria o Magalhães? Ou seria o Portal dos Contratos Públicos… Ambos adjudicados sem concurso público ao arrepio das normas vigentes para as contratações públicas? Seria ainda a derrota nas eleições europeias? Ou seria a marosca da compra da TVI pela PT, destapada por Manuela Ferreira Leite, e que motivou uma vergonha pública para José Sócrates, e uma resposta tão inflamada como comprometida do Sr. Administrador Granadeiro? Mas pode ainda ser o evidente fracasso daquele conveniente “manifesto” sobre a oportunidade das grandes obras socialistas (assinado apenas por ex. dirigentes de empresas públicas e administradores de empresas de obras públicas e figuras de 2ª linha do próprio partido socialista)…

Resumindo, tudo pode estar a correr mal ao PS neste momento, contudo, nada poderá justificar o gesto, efectuado na Catedral da Democracia Portuguesa, perante os deputados da Nação, eleitos pelo Povo. A demissão seria portanto mais que justificada. Claramente. Mas será justo dizer que o acto é fruto de um qualquer desvario? Sinceramente não me parece. Manuel Pinho é o mesmo que despudoradamente já havia dito na Índia que Portugal era um bom país para investir porque o governo tinha como política os salários baixos, mais recentemente, havia ilustrado aquilo que entende ser a política de obras públicas de Manuela Ferreira Leite, rasgando de forma efusiva um papel com todas as obras a lançar com fundos europeus.

Enfim… Penso o que Manuel Pinho fez equivale ao que sempre havia feito até aqui, sempre com o apoio do PS e de José Sócrates, pois este governo é democraticamente inculto e um autêntico deserto de ideias (e este é real, ao invés do inventado na margem sul). Em resumo…. Está mais que na hora de o eleitorado responder ao gesto de Manuel Pinho, como em Democracia se deve fazer… Com a força dos votos!

domingo, 28 de junho de 2009

A importância das datas eleitorais


Com a definição das datas, agora será possível desenhar com maior rigor o quadro dos actos eleitorais que se aproximam. Legislativas a 27 de Setembro. Autárquicas a 11 de Outubro.

O dia 27 de Setembro, dia escolhido para as Legislativas, é o último domingo do mês, o que dá margem para, no máximo, 3 semanas de campanha a sério. Isto porque o Agosto é um mês complicado para conseguir mobilizações em massa (talvez se assista ao regresso do Pontal com revigorado impacto político como acto de lançamento da campanha eleitoral).

Quanto ás Autárquicas, já se sabia que o governo tinha escolhido o dia 11 de Outubro para a sua realização, trata-se do 2º domingo do mês de Outubro, o que deixa apenas uma semana de intervalo entre Legislativas e Autárquicas. Sem dúvida que o impacto das primeiras sobre as segundas não se deixará de fazer notar. Seria sempre assim (excepto no caso de as datas coincidirem), no entanto tanta proximidade irá com certeza ampliar o efeito de “ricochete”.

Cumpre agora aos analistas políticos e responsáveis das campanhas fazerem a respectiva análise de cenários no sentido de compreender quais os efeitos que uma vitória ou derrota nas Legislativas terá sobre a mobilização do eleitorado para as Autárquicas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O PS dos aflitos

E eis que passada a derrota eleitoral das Europeias e a consequente ingestão de doses massivas de Prozac para o José Sócrates assumir a postura de um elegante e polido primeiro ministro, qual “madalena arrependida”, tivemos ontem de regresso ao parlamento o mesmo individuo que nos tem governado nos últimos anos.

Lá estava ele pronto para agredir verbalmente o deputado Diogo Feio, que o interpelou por causa do negócio da PT com a TVI, enervado com uma pergunta do deputado do PP que pretendia obter um esclarecimentos do governo sobre as circunstancias em que uma empresa que tem uma “Golden Share” do Estado se preparava para adquirir por perto do dobro do preço da cotação em bolsa a estação de TV, que por mero acaso, tem sido uma fonte de dores de cabeça para o José Sócrates. Esperto, Francisco Louçã lançou novo arremesso contra o chefe do governo, para explorar o estado de enervamento em que ele se encontrava, para gáudio dos telespectadores que assim relembraram as razões porque votaram contra José Sócrates nas Europeias.

Assim vai o PS, num trajecto em linha recta para um beco sem saída, por um lado, tentando todas as fintas admissíveis ou não em Democracia (apesar de José Sócrates jurar a pés juntos que nada sabia do negócio da PT), por outro lançando novo anátema sobre o PSD por ainda não ter divulgado o programa de governo, claro que o PS também não o divulgou… Mas isso agora não interessa nada, pois não?

E isto tudo apesar de o caso Freeport já ter chegado à constituição como arguido de alguém que todos os dias privava, no seu gabinete, com o anterior ministro do ambiente, e actual primeiro-ministro. O que diria agora sobre isto Vital Moreira, o candidato Socialista ás Europeias: É esta a gente que queremos para governar o nosso país?

terça-feira, 23 de junho de 2009

O homem das tretas.

O homem das tretas, é aquele que não sabe quem é. O homem das tretas, é aquele que não sabe quem foi. O homem das tretas, é aquele que não sabe para onde quer ir. O homem das tretas, é aquele que promete mas não cumpre. O homem das tretas, é aquele que muda apenas nas alturas em que está aflito. O homem das tretas, é aquele ignorante que se arma em arrogante.

O homem das tretas, é o que usa uma linguagem vulgar para esconder as suas limitações argumentativas. O homem das tretas, é o que intimida em lugar de convencer. O homem das tretas, é o que agride quem se lhe opõe e ignora a dialéctica Democrática.

O homem das tretas, é aquele não tem ideias e vende apenas a sua imagem. O homem das tretas, encontra quem lhe fabrique a imagem e lhe escreva o discurso, para no caso de as coisas correrem mal, culpa-los a eles do fracasso.

O nosso homem das tretas, é José Sócrates. Vimo-lo na SIC a representar o papel absolutamente deprimente de alguém que se entrega a qualquer papel, mesmo que seja antagónico a si próprio para tentar ganhar umas eleições. É este o tipo de gente que está, neste momento, à frente do PS, por ineptidão de uns e cobardia de outros, certamente.

A grande questão é… Até quando?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Obrigado a todos... Falta agora correr com José Sócrates



A todos aqueles que nos seus empregos sofreram perseguições por serem do PSD ou de outros partidos da oposição. A todos aqueles que viram o seu nome nos jornais simplesmente porque tal significava qualquer difusa vantagem numa qualquer obscura jogada socialista. A todos os que passaram horas a contribuir para o delinear das estratégias para começar a derrotar este péssimo conjunto de governantes... Muito obrigado. Valeu a pena.

E valeu a pena porque hoje foi derrotado dos piores conjuntos governativos de que há memória. Este governo é fraco, politicamente obtuso, incorrecto nos processos, mudo nas ideias, cego nas acções, subtil mas totalmente opressivo perante aqueles que se lhes opõem, no uso legitimo e legal dos seus direitos de livre expressão.

Ninguém se pode esquecer de como trataram os que disseram que a Ota não era um local apto para um aeroporto e, muito menos, o de Lisboa. Ninguém se pode esquecer como este grupo de pessoas tentou instrumentalizar a DREN, mantendo e estimulando a acção daquela inacreditável directora regional. Mas mais grave para o país, ninguém se esquece como este conjunto de pessoas, lideradas por um indivíduo de fracas qualidades, incapaz sequer de cumprimentar directamente o seu adversário Paulo Rangel, no hora da vitoria, foi capaz de ignorar, sem nenhuma excepção, todas as propostas da oposição no sentido de introduzir novas soluções governativas, minorando os nefastos efeitos sociais de uma política ultraliberal, conduzida pela mão de José Sócrates.

Ainda, ninguém se esquece do que este grupo de pessoas fez ás classes profissionais que estruturam este país, começando pelos Professores, passando pelos Juizes e Polícias e Médicos e acabando nos restantes funcionários públicos. Não se trata tanto da vontade de reformar.
Trata-se isso sim, das "reformas" feitas contra as pessoas, agredindo as pessoas, em alguns casos até, humilhando as pessoas.

Depois há ainda uma panóplia e atitudes suspeitas que deixam qualquer um perplexo, tais como, e só para não ser exaustivo, aquela mudança da legislação penal sobre o cúmulo do crime de pedofilia, juntando todos os crimes num só e limitando a sua punição como se de um só acto se tratasse. O Ministro Rui Pereira, meu ilustre professor de direito penal devia ter algum pudor a pertencer a um governo com estes procedimentos, ainda para mais a meio de um processo como o da Casa Pia.

Contudo, este resultado pode ser enganador, se a luta não continuar, se as classes profissionais não mantiverem o movimento de contestação permanente ás políticas deste grupo de pessoas, incapazes para enfrentar uma crise desta dimensão, se a líder da oposição não mantiver a sua linha de falar verdade ás pessoas, então esta vitoria de nada servirá pois o caminho é longo e ainda agora o país começou a dar os primeiros para devolver esta gente à insignificância devida, juntamente com a quantidade impressionante de pseudo jornalistas e outros pseudo "ajudantes" mais ou menos encapotados.

Que o próximo Governo de Portugal saiba respeitar os seus Cidadãos e ser respeitado por eles. Este interregno "governativo" será sempre de má memória. Talvez com Jorge Sampaio a Presidente, teria já havido até razões para convocar eleições antecipadas, dado que, um governo PSD foi por ele demitido por razões de incapacidade governativa, e "nós" não nos esquecemos disso.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Moralizar… um pouco?

Diz o Bloco de Esquerda, acompanhado pela generalidade da restante classe política, que é preciso moralizar um pouco as remunerações dos gestores das principais empresas (como as do PSI 20, por exemplo). Ao fim destes meses todos de participações e apoios do Estado a empresas aflitas por causa da crise mundial, parece que vai ser aprovado um projecto-lei para impedir os ganhos desmesurados e os pára-quedas dourados dos gestores e administradores.

Acontece que, e a vida tem destas coisas, entre apelos à contenção salarial vindos de vários lados e reacções absolutamente surpreendentes contra uma hipotética “inveja social” que esta questão das remunerações dos gestores de topo suscita, tenho um feeling que me diz que em Portugal pouco ou nada se fará para moralizar esta questão.

Vejamos, em primeiro lugar, com “inveja social” ou sem ela, aliás ela pouco importa em face dos números, neste país foi possível deixar que os gestores de topo ganhassem cerca de 17 vezes mais que a média dos colaboradores.

Em segundo lugar, com “inveja social” ou sem ela, neste país foi permitido que a parte variável dessas remunerações dos gestores de topo, chegasse em alguns casos a uns impressionantes 70% do total. Evidente que tudo devidamente sustentado por um rácio de cenoura… Os resultados!

Bom, só que neste país (aliás, como na generalidade desse mundo por ai a fora), foi permitido que os “resultados” fossem conseguidos através de índices trimestrais de “performance” na bolsa… Está-se mesmo a ver no que isto ia dar… não está?

Explicando, com “inveja social” ou sem ela, os Senhores “gestores de topo”, durante anos pegaram em activos das empresas e “investiram” em qualquer coisa que “mexesse” na bolsa… Os chamados “fundos” (é ai que entra um tipo porreiro pá… Chamado Madoff… Já ouviram falar?), e por outro lado, a estratégia de ganhos passava ainda por estabelecer objectivos cada vez mais ambiciosos sobre resultados já muito suados, oferecendo em troca aos colaboradores uma qualquer espada luminosa ou uma meia dúzia de euros e um Ticket refeição para dois numa cantina de segunda à beira de uma qualquer poeirenta estrada nacional.

Isto é, ainda hoje, o estado de coisas nas principais empresas do PSI 20 (se bem que assistimos já a algumas reduções salariais nos gestores de topo, como nos casos do BCP e na PT). Claro que os “fundos” milagrosos já não estão mesmo ali à mão de semear, claro que os “resultados” maravilhosos estão para já contidos em relatórios e contas mais realistas e menos “trabalhados”, o que motivou, em alguns casos perdas de valor na ordem dos 30%.

Agora a questão que se deverá por é, moralizar apenas um pouco chega? Ou será preciso mais do que isso para que este descalabro não se possa repetir? Na realidade, os Portugueses devem pensar mesmo muito bem antes de votarem no próximo governo de Portugal…

sábado, 24 de janeiro de 2009

Portugal nas mãos de Espanha?

Tema recorrente na opinião publica Nacional, a relação (ou se calhar a ralação) com Espanha é daqueles assuntos que angustia uns e entusiasma outros. Trata-se, tal como o assunto “Salazar”, algo que divide os meus compatriotas entre os partidarios da Espanha-fobia e os partidários da Espanha-filia.

Os primeiros tendem a temer tudo o que vem do lado de lá da fronteira, dizem aos amigos que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”, abusaram das nossas queridas caravelas para uma aventura desastrosa frentes ao Ingleses chamada de “Armada Invencível”, aquela coisa da guerra civil foi uma carnificina de gente barbara, Franco era demasiado amigo dos Nazis para o nosso gosto, e para eles o melhor momento da nossa relação com Espanha era quando se iam comprar caramelos a Badajoz a metade do preço.

Já para os segundos, Espanha é um país grandioso, cerca de 5 vezes maior que Portugal, economia feroz com muitas oportunidades em empresas fortes, como Repsol, Seat, Zara, Corte Inglês, Sacir, Santander, La Caixa, enfim… o ordenado mínimo por lá é cerca do dobro do nosso, competem com a França e a Inglaterra no índice de desenvolvimento económico enquanto nós somos humilhados pela generalidade dos países do leste europeu. Por outro lado, os Espanha-filiacos ainda argumentam com os reinados de Filipe I e II (séc. XVI/XVII), para fundamentarem a ideia de que os Espanhóis nem se saíram assim tão mal em terras lusas.

Tudo isto cruza a minha cabeça à velocidade aproximada de um TGV, motivado pelo facto de esta semana Sócrates se ter ido encontrar com Zapatero em Zamora, para mais uma cimeira Luso-Espanhola. Foi nessa localidade Espanhola que a 5 de Outubro de 1143 (4 anos após a vitória lusa na batalha de Ourique) os Reis Afonso Henriques e Afonso III de Leão e Castela assinaram a paz, tendo o monarca do que é hoje a Espanha reconhecido ao condado Portucalense a sua condição de Reino.

Ora, e o que temos hoje em dia? Sócrates foi a Zamora acertar detalhes sobre um centro de investigação comum a instalar em Badajoz, sobre o TGV e o traçado a ligar os dois países, sobre a constituição do OMI – Operador do mercado Ibérico, para a área da energia, o intercâmbio na área da saúde (para bebés portugueses nascerem em Espanha), entre outros acordos e protocolos a assinar com Zapatero.

Tudo muito bem, de facto não queremos congelar a nossa relação com o nosso maior parceiro comercial (30% das nossas exportações são para lá). Contudo, atenção, o gigante vizinho não olha para nós da mesma maneira. Na verdade, toma paulatinamente posição dominante em empresas nacionais, oferecendo o tacho de um outro lugar de administração aos políticos que facilitam as tomadas de posição (não vale a pena dizer nomes pois não?), numa se quis vincular a um acordo com Portugal no domínio do uso dos rios internacionais, para além da central nuclear que colocou às nossas costas, ainda se prepara para construir uma mega refinaria em Balboa a 60 kms de Portugal, e um super aeroporto em Badajoz para servir, entre outras coisas, de plataforma para os futuros investimentos turísticos na zona do Alqueva (que nós pagamos e construímos para eles).
Tudo isto enquanto, até ao momento presente, não há memória ou conhecimento de que uma empresa Portuguesa tenha alguma vez ganho um concurso público em Espanha… Se eu fosse Espanhol com um projecto para tornar toda a península numa só Ibéria, certamente não estaria descontente com o actual estado de coisas… Para mais sabendo que, se em Portugal existissem Políticos à prova de bala, provavelmente este país à muito que já teria ido á procura de diversificar as suas relações comerciais com outros parceiros menos suspeitos… Para mais sabendo que, ultimamente, Angola (aquisições de participações na banca, jornais, e algumas empresas) mas também o Brasil (Embraer) têm olhado para nós com renovado interesse.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Derrotar o “Grande Coveiro”


O governo de Sócrates mentiu sobre a responsabilidade da crise mundial no agravamento das condições de vida dos mais pobres. Se assim é, como podem durante, o quadriénio 2005/2009 as desigualdades terem aumentado tanto? Sim, a diferença entre os rendimentos dos mais ricos e os rendimentos dos mais pobres aumentou em 0,3%, entretanto Sócrates, num dos seus rasgos de quem se está nas tintas para o parceiro do lado, acabou com a convergência das reformas e teve coragem para tributar algumas delas em sede de IRS…

O governo de Sócrates mentiu sobre a forma de apoiar a economia, centrando os apoios apenas no sector financeiro, transformando a Caixa Geral de Depósitos numa espécie de IPE, que centraliza todo o investimento na economia, quando a generalidade dos países europeus já apostava igualmente na baixa generalizada de impostos, certos de que, sem dinheiro na rua, de nada servirá enterrar fundos exclusivamente no sector financeiro, porque haverá certamente uma deflação da economia.

O governo de Sócrates mentiu ao chamar orçamento suplementar ao orçamento rectificativo. Certo, é uma pequena mentira, uma mentirinha, no meio de outras tantas graves, mas demonstra a falta de coragem de Sócrates para enfrentar uma verdade… O governo errou na medida grande, e errou em pleno curso da crise mundial, pois no fim de 2008, toda a gente já sabia o que aí vinha…. Só Sócrates e o seu governo é que pensavam que o OE 2009 podia mascarar a gravidade das contas públicas… Aliás, suspeito que tal engodo seria muito útil para suportar certos investimentos públicos megalómanos (dada a actual situação), como o TGV, que aliás, é objecto de uma verdadeira campanha de promoção nos órgãos de comunicação social, escondendo que para além dos apoios da UE, Portugal tem de enterrar 8 mil preciosos milhões na obra.

O governo de Sócrates mente ao dizer que apoia as pequenas e médias empresas com uma linha de crédito que apenas vai ajudar aquelas empresas que têm liquidez (as únicas que podem aceder ao crédito), quando o verdadeiro apoio seria suspender os pagamentos por conta e o pagamento do IVA apenas na data do pagamento efectivo do dinheiro ás empresas prestadoras dos serviços, visto que são essas verbas que estrangulam as empresas.

O governo de Sócrates mente quando a coberto de uma “reforma” sustentada na ideia neo-liberal, promovida por um governo “socialista”, atacou todo o sector público, desprestigiando professores, juízes, policias e funcionários públicos em geral, na medida em que, movido por uma profunda convicção de que teria apoio popular para diabolizar estas classes profissionais, fantasiou um pretenso progresso social à custa dos cortes, mobilidades, e avaliações polémicas e irracionais, quando na verdade, destabiliza o ensino, desorganiza o sistema de saúde, desmoraliza as forças de segurança, em suma enfraquece o Estado.

O governo de Sócrates mente quando diz que vai criar 150.000 empregos, quando todas as contas que apresentou ou vai apresentar são falsas ou fruto de uma tortura de números. A verdade é que, para lá dos engodos e das falácias, o desemprego aumentou e muito, e o orçamento para 2009 (na sua versão rectificativa/suplementar) fala em números de dois dígitos para o desemprego.

Tudo somado, a grande pergunta a fazer é… E se fosse um governo do PSD a apresentar este relambório de mentiras? E se este governo “socialista” tivesse de lidar com um Governador do Banco de Portugal que estranhamente presta melhores serviços políticos e piores acções como regulador da banca, o que seria a sua principal função?

A Manuela Ferreira Leite cumpre dar uma resposta afirmativa à denúncia destas mentiras e à apresentação do consequente caminho alternativo para criar a necessária confiança no eleitorado. Falar verdade ao eleitorado é essencial, mais ainda agora, dado que estamos na presença de um Primeiro-Ministro fraco e incapaz de enfrentar os seus erros. Contudo pede-se mais, pede-se coragem e determinação, pede-se fundamentalmente à líder do PSD que nos faça acreditar que é possível derrotar Sócrates já em 2009, para que, finalmente, o “Coveiro de Portugal” seja remetido à procedência.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Desemprego e os Cursos Técnicos




O INE publicou os dados do desemprego relativos a 2008, mais de 90 mil jovens estavam desempregados à procura do primeiro emprego. Nesses números não entram os que se encontram em estágios profissionais, muitos deles sem receber qualquer remuneração digna desse nome.

Foram dezenas de anos a apostar na formação superior, forçando números, torcendo estatísticas, falando de meias verdades. O resultado está à vista. Entalados entre a conversa de vários governos, de vários Ministros, e o sonho de uma vida melhor e de um reconhecimento social, milhares e milhares de jovens atiraram-se para cursos superiores sem qualquer saída profissional, fizeram as provas de acesso, pagaram as propinas, estudaram 5 ou mais anos e chegaram ao fim de todo esse processo e… Ficaram no desemprego.

Serviram para quê? Serviram para ser tratados como “carne para canhão” neste Portugal de gente cruel e imprudente, serviram para os Governos se auto promoverem com o sucesso da democratização do ensino superior, foram a versão em “carne e osso” dos milhares de Km’s de auto-estradas que foram implantadas em Portugal desde 90.

E como as estatísticas são cegas ou dizem o que se quiser mostrar, a Europa aplaudiu Portugal, pensando que à base de auto-estradas e de “paletes” de licenciados, esta faixa do território europeu estaria a convergir com qualquer coisa parecida com um “modelo de desenvolvimento sustentado” e sustentável. Não podiam estar mais longe da verdade. É que este é o país mais manhoso da Europa. Aqui a verdade só é dita pela metade. Sempre.

E a verdade é que, nunca foram criadas saídas profissionais para os jovens que se atiraram para a fogueira do ensino superior. O governo nunca conseguiu, ou sobe, como apoiar os verdadeiros criadores de postos de trabalho, as “pequenas e médias empresas” (PME’s). Nunca soube, por exemplo, equilibrar a sua voragem tributária com a necessidade de incentivar quem recorre à mão-de-obra jovem, criando emprego, oferecendo um futuro a quem começa.

É neste “beco sem saída” que renascem os cursos técnicos, compostos por um conjunto de duas ou três disciplinas de carácter “técnico-prático”, que integram aprendizagens específicas centradas na área de formação escolhida com vista ao exercício de uma actividade profissional. Sendo que, em apenas três anos, atingiram o limite das vagas disponíveis, 30 mil alunos. Esta opção profissionalizante, em áreas diversas como “informática; Electrónica; ou Química, podem oferecer aos jovens um rápido acesso ao mundo da mão-de-obra que alimenta a indústria que ainda existe e os serviços.

Porque todos os pesadelos têm um fim, porque a aposta de um jovem no seu amanha é determinante, e ainda porque, a persistirem as dificuldades actuais em ter emprego, constituir família, ter filhos, o Portugal de amanha será um fracasso, obviamente que fomento do “ensino técnico” nunca devia ter deixado de ser uma prioridade. Pena que os governantes poucas vezes vejam para além da ponta do nariz…