quinta-feira, 23 de julho de 2009

Caro Senhor Primeiro Ministro


Aceita dar um passeio comigo? Aceita passear como se fossemos duas pessoas normais? Aceita passear como se não se achasse mais que eu?

Gostaria de lhe fazer umas perguntas, se pudéssemos falar com honestidade. Como pode achar que ainda está para nascer o primeiro ministro que faça melhor que o Senhor, quando há cada vez mais desempregados nos centros de (des)emprego. Gostaria de lhe perguntar como é possível esconder do seu povo a verdade sobre tanta coisa. Como dorme à noite quando há tantos pobres nas ruas e tanta gente a perder o emprego?

O que sente quando está a olhar para o espelho? Será que se sente orgulhoso de si, enquanto os restantes de nós choram? Como conseguem andar de cabeça erguida, quando o ensino está cada vez pior, os tribunais deixam de funcionar e a policia deixa os uniformes no chão em frente à Assembleia da República? Consegue ao menos olhar-me olhos nos olhos e dizer-me que se sente bem?

Caro Senhor Primeiro Ministro, foi um menino solitário? Será que é um Primeiro Ministro solitário? É que os seus cartazes dão essa ideia de estar sozinho no meio da multidão. Sabe uma coisa, penso que já deve saber que não somos burros nem cegos, e sabemos o que é viver com o ordenado mínimo e sem contrato de trabalho, ao abrigo do seu novo código do trabalho, que monumento ao trabalhador ele é! Sabemos o que é perder o emprego e o banco ficar-nos com a casa. Sabemos o que é ser velho e não ter condições de sobrevivência porque o dinheiro da reforma não chega.

Senhor Primeiro Ministro, como consegue dizer que ainda não nasceu quem faça melhor que o Senhor e depois dormir à noite? Como consegue andar de cabeça erguida na rua?

Caro Senhor Primeiro Ministro, o Senhor nunca iria dar um passeio comigo… Pois não?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Branqueamento

Ando perplexo com isto… Não é que tenha a ideia de que o meu actual estado psicológico tenha alguma relevância. Contudo, as razões que fundamentam este meu estado de espírito, penso serem do interesse geral.

Trata-se da versão final do relatório que a Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN vai apresentar à Assembleia da República, que conclui que o Banco de Portugal «não ignorou» nem «permitiu» a situação de inviabilidade do banco. Referindo no entanto que o Sr. Governador do Bando de Portugal deveria ter sido mais «incisivo» e «diligente» na sua actuação.

Vamos lá por partes. Facto: O BPN fez de tudo e mais alguma coisa para fugir à legalidade das operações bancárias, desde a criação de empresas em paraísos fiscais, até à venda de produtos de investimento fraudulentos (vendidos como sendo supostamente seguros). Outro facto: O Sr. Governador do Banco de Portugal, afirmou que deu margem de manobra ao BPN pela credibilidade que o Dr. Oliveira e Costa lhe suscitava, como ex-governante e como gestor. Mais um facto: Perante a Comissão de Parlamentar de Inquérito o Sr. Governador do Banco de Portugal disse não ter meios nem competências para fiscalizar os bancos de forma eficaz. Finalmente, facto conhecido por todos: O BCP viveu e vive dias muito infelizes, sabendo-se que havia de tudo nesse banco, incluindo empréstimos “loucos” ao filho de Jardim Gonçalves, que depois foram considerados com sendo incobráveis.

Ora a minha perplexidade reside no seguinte: Se os Bancos seriam, supostamente, entidades “credíveis”, muito embora não o sejam. Se o “Regulador” não tem meios para regular, baseando a sua fiscalização em e-mails com questões e na credibilidade que os banqueiros possam oferecer ao Sr. Governador. Ainda, se o Sr. Governador deveria ter sido mais «incisivo» e «diligente» na sua actuação… Então os senhores deputados do PS (em maioria na comissão), entendem que está tudo bem e que deve ficar tudo na mesma?

Mas vamos lá ver uma coisa, será que o Sr. Ministro Mário Lino anda no mundo da lua, quando reduz a celeuma à volta deste relatório a uma questão de mera vingança politica sobre o Sr. Governador pelo seu papel em “tramar” o PSD com os números das contas públicas? Pensará ele que somos todos tontos? Lembro-me de uma frase publicitária que dizia que certo produto “lavava mais branco”… Hoje em dia parece ser o PS que “lava mais branco”.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os “Chifres” socialistas

Confesso! Sou um tipo distraído... Não consegui identificar o certamente interessante ponto de vista que Manuel Pinho pretendia defender no Parlamento com o frondoso e pictórico par de chifres que o membro do governo socialista montou em si próprio. Mas uma coisa posso dizer, a opinião unânime na sala onde eu me encontrava foi de que os “chifres” lhe assentam muito bem, Manuel Pinho, de facto, faz bem o papel taurino em qualquer uma festa brava deste país. E há tantas por aí nesta altura… Será um erro de "casting"? É que, ou me engano muito, ou temos ali um putativo Ministro da Agricultura!

Posso no entanto tentar adivinhar o tema em discussão no parlamento que terá levado à enfática resposta de Manuel Pinho… Seria o Magalhães? Ou seria o Portal dos Contratos Públicos… Ambos adjudicados sem concurso público ao arrepio das normas vigentes para as contratações públicas? Seria ainda a derrota nas eleições europeias? Ou seria a marosca da compra da TVI pela PT, destapada por Manuela Ferreira Leite, e que motivou uma vergonha pública para José Sócrates, e uma resposta tão inflamada como comprometida do Sr. Administrador Granadeiro? Mas pode ainda ser o evidente fracasso daquele conveniente “manifesto” sobre a oportunidade das grandes obras socialistas (assinado apenas por ex. dirigentes de empresas públicas e administradores de empresas de obras públicas e figuras de 2ª linha do próprio partido socialista)…

Resumindo, tudo pode estar a correr mal ao PS neste momento, contudo, nada poderá justificar o gesto, efectuado na Catedral da Democracia Portuguesa, perante os deputados da Nação, eleitos pelo Povo. A demissão seria portanto mais que justificada. Claramente. Mas será justo dizer que o acto é fruto de um qualquer desvario? Sinceramente não me parece. Manuel Pinho é o mesmo que despudoradamente já havia dito na Índia que Portugal era um bom país para investir porque o governo tinha como política os salários baixos, mais recentemente, havia ilustrado aquilo que entende ser a política de obras públicas de Manuela Ferreira Leite, rasgando de forma efusiva um papel com todas as obras a lançar com fundos europeus.

Enfim… Penso o que Manuel Pinho fez equivale ao que sempre havia feito até aqui, sempre com o apoio do PS e de José Sócrates, pois este governo é democraticamente inculto e um autêntico deserto de ideias (e este é real, ao invés do inventado na margem sul). Em resumo…. Está mais que na hora de o eleitorado responder ao gesto de Manuel Pinho, como em Democracia se deve fazer… Com a força dos votos!