quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As Vulnerabilidades…

Antes do mais, há que dizer, com a máxima sinceridade, que a figura do Senhor Presidente da República merece todo o respeito, é a figura máxima do Estado, a única no nosso sistema democrático que é eleita directamente e de forma independente dos partidos políticos.

Dito isto, importa clarificar outra coisa, a terminologia utilizada ontem pelo Senhor Presidente da República, utilizando expressões como aquela do PS ter “ultrapassado os limites da decência” no tratamento da questão relacionada com as escutas à presidência da República, deixa pouca margem para uma saudável convivência entre Belém e São Bento. Logo agora que o parlamento está fragmentado e dividido como não se via há bastante tempo.

Por outro lado, as dúvidas que levaram o Senhor Presidente da República a chamar especialistas que o informaram que existem vulnerabilidades no sistema de comunicações pela Internet de Belém, é grave e deve ser esclarecido depressa, precisamente porque se trata do mais alto dignitário da Nação. E, a menos que esteja enganado, esse singelo facto motiva preocupações serias de toda a ordem e espécie.

Finalmente, as alegações do Senhor Presidente da República sobre as alegadas tentativas de o PS puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD e de “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos”, são igualmente gravíssimas, dado que, a serem fundadas, e se o Senhor Presidente da República as profere é porque são fundadas, tratam-se de um desrespeito intolerável pela Primeira figura do Estado, além de que, no caso de tal se ter verificado, deixam em aberto a assustadora hipótese de o PS ter sido beneficiado pelo silêncio do Senhor Presidente da República no acto eleitoral.

Tudo somado, penso que as “vulnerabilidades” criadas por esta situação são de tal ordem que vulnerabilizam quer o Senhor Presidente da República, quer o PS, quer os Serviços de Segurança, quer a própria Democracia e o Estado Português. Alguma coisa deve e tem de ser feita para repor o “normal funcionamento das instituições”… Aquela expressão que Sampaio utilizou para demitir Santana Lopes… Estão lembrados?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Marcar passo…

Após as eleições do dia 27 de Setembro, o PS perdeu 25 deputados (de 121 passou para 96), o PSD ganhou 3 deputados (de 75 passou para 78), enquanto que CDS, BE e CDU, obtiveram todos eles, mais deputados que em 2005 (21, 16 e 15, respectivamente). Contudo, apesar de o PS ter visto a sua diferença de deputados para o PSD ser reduzida para a expressão mínima. De uns expressivos 46 para apenas 18, o facto é que foi o partido mais votado nas eleições (para reforçar, diga-se ainda que uma coligação pré-eleitoral CDS/PSD teria ganho as eleições).

Números à parte, o facto é que Portugal vive a mais grave crise social das últimas três décadas. A sucessiva desindustrialização, a destruição da agricultura do país e a sua tercialização, implicou que, neste momento, não há opções para as escolhas económicas e sociais. Como consequência, o número de falências atingiu um recorde absoluto. Segundo os números oficiais, 1/3 dos portugueses trabalha precariamente ou na economia paralela, ou seja, em empresas que não cumprem as suas obrigações fiscais, de Segurança Social ou as regras legais. A taxa de desemprego continua a crescer e está nos 10%: meio milhão de homens e mulheres. O governo do Socialista foi um dos fiéis seguidores da ideologia neoliberal que promove um Estado minimalista. No entanto, no momento da crise, predominou a nacionalização do prejuízo. Nestas eleições e chegada a hora de o governo prestar contas, o PS embora tenha perdido tudo o resto (deputados e maioria absoluta), consegue ainda assim ganhar as eleições. Isso não é normal.

Normal é o crescimento do bloco de esquerda, que sem responsabilidades governativas, se dispensa de explicar a viabilidade económica de alguns pontos do seu programa eleitoral, como a aplicação de uma taxa a incidir sobre o Valor Acrescentado Bruto (VAB) das empresas para reforço da Segurança Social, ou ainda a criação de um Fundo de Solidariedade-Emprego, para o financiamento das prestações relacionadas com a antecipação da idade da reforma, com o desemprego de longa duração e com a situação dos trabalhadores vítimas de deslocalizações de empresas, sendo-lhe afectas as verbas resultantes do combate à evasão e fraude na segurança social e uma dotação específica do Orçamento de Estado; ou ainda, a combinação de medidas de protecção especial no desemprego, como o rendimento social de inserção, com o aumento das pensões sociais e outras que estejam abaixo do nível do Salário Mínimo, ou ainda, um programa de apoios fiscais e subsídios à criação de emprego nos distritos mais atingidos, ou ainda, a redução do horário de trabalho sem perda de direitos nem salário, com o objectivo das 35 horas semanais, e finalmente, a pérola no topo do bolo o desenvolvimento de um “sector de economia social” (auto-organização dos produtores em empresas), apoiado técnica e financeiramente pelo Estado, no qual ficarão inseridas as empresas promovidas por produtores, quer sejam empresas que sucedam a empresas capitalistas em processo de falência ou novas empresas. Mas onde é que eu já ouvi isto?

Assim, enquanto a imprensa alemã destaca hoje o triunfo dos Liberais (FDP) e de Angela Merkel e a derrota histórica dos socialistas Alemães do SPD nas legislativas de domingo, em Portugal, continuamos com uma maioria de esquerda parlamentar que oscila entre o Marxismo-Leninismo, com uma pitada de Trotskismo, e um socialismo capitalista envergonhado com tiques de autoritarismo. Enquanto os Portugueses não se dedicarem a ler os programas eleitorais e a conhecer as propostas de cada partido, Portugal estará novamente ou irremediavelmente adiado. A isto, cada um pode chamar o que quiser… Eu chamo “marcar passo”…

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As Empresas Sondagens… Os putativos donos da “bola de cristal”…

É mais antigo do que o próprio homem… Querer prever o futuro. Era assim no início por questões de sobrevivência. Era importante saber quando ia chover ou quando algum mau olhado caia sobre a nossa família no sentido de, com antecedência se poder antecipar os males que estariam para vir, adoptando medidas preventivas, como por exemplo antecipar uma colheita, ou no outro caso, comprar uma valente marreta para amaciar o ímpeto de algum agressor.

Nos dias de hoje, para além das bruxas e cartomantes, que lidam com as ambições mais básicas dos indigentes que as frequentam, à procura de “dinheiro” e “amor”, temos outro tipo de entendidos nessa coisa de “prever o futuro”: Os senhores das empresas de sondagens.

Ora bem… Quem são eles? Os senhores das empresas de sondagens são uns cavalheiros que fazem umas perguntas giras sobre o sentido de voto de um determinado grupo de pessoas, escolhidas de uma determinada forma muito cientifica, e depois de tudo somado, dizem aquilo que alguém (não sabemos quem) indica ser o que se vai passar depois de umas eleições e, cereja no topo do bolo, ainda metem uns números para dar uma ideia de rigor à coisa. Claro que têm sempre um intervalo de segurança (entre X e Y), no fundo exactamente a mesma coisa que as bruxas e cartomantes fazem… Pode correr “assim”, mas pode correr “assado”, dependendo da opção que cada um tomar…

Mas é exactamente isso… Depende da opção que cada um tomar. É que esta coisa do negócio das “sondagens”, supostamente “rigorosas”, têm, em primeiro lugar, um senão: quem é que as paga? Será que são feitas pela Comissão Nacional de Eleições? É que se não, penso que não serão feitas de borla, o que levanta toda uma série de questões. Por outro lado, dependem da vontade dos eleitores, na hora de fazerem a cruz no boletim de voto, embora quem as encomenda e as divulgue, ainda pense que elas condicionam o eleitor.

É que até essa hora, há sempre os tais “meros” vinte ou trinta por cento de indecisos, e ainda os outros que olham para o símbolo do partido que é responsável pelo marido ou mulher terem perdido o emprego, ou pelo filho bolseiro que não recebe o respectivo apoio há mais de um ano, ou ainda que moram no “deserto da margem sul” ou ainda numa zona do interior que perdeu a maternidade ou o posto médico e subitamente… Põe a cruz em quem pode efectivamente correr com “os que lá estão”… E, nesse caso, o que vale a “bola de cristal” das empresas de sondagens? Vale o que se viu nas eleições Europeias… Rigorosamente nada!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O cérebro é uma coisa maravilhosa. O Mário Crespo devia ter um…

O decano Mário Crespo, jornalista que já admirei no passado pela sua objectividade e isenção (entretanto perdidas), num texto recente em que se dedicava a dar mais um coices em Manuela Ferreira Leite, cita de Karl Marx, na sua introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, a seguinte frase: “A fase final na história de um sistema político é a comédia”.

Pois bem, esse jornalista que já foi grande exemplo de acutilância para os seus pares, hoje está reduzido à mais pobre das sombras de si próprio. Uma espécie de imagem viva da “Alegoria da caverna” que Platão criou no livro VII da sua “República”. Ora a tal “Alegoria” criada por Platão (que em termos de sagacidade metia Sócrates no bolso), pretende exemplificar como nos podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.

Acontece que, com este Mário Crespo, a “luz da verdade” não passa de algo entre uma comédia e um frete a José Sócrates. Mário Crespo contribui com a sua actual postura jornalística para branquear tantas a tantas malandrices (processo PT/TVI; processo Manuela Moura Guedes/TVI; o recente “caso das escutas” que branqueia uma “guerra” entre o Jornal Público e o PS, etc...), que até mete pena ver um tal arauto do jornalismo “independente” assumir tais posturas, sem que, ao menos, Sócrates o escolha para mandatário jornalístico da campanha. Bem sei que, se tal acontecesse, seria certo que Júdice de Sousa teria um ataque de ciúmes… Se calhar o problema é que há muitos a fazer os tais “fretes”… Não é, caro Mário Crespo?

Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das ideias (diánoia e nóesis). Para o filósofo, a realidade está no mundo das ideias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo ilusório das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são mutáveis, corruptíveis, não são funcionais e, por isso, não são objectos de conhecimento.

Ora, caro Mário Crespo, cá vai uma nota para si (que não pretende ser jornalística, pois não me mascaro de jornalista), tente regressar ao mundo da consciência e abandone a sua actual condição de ignorante que vive no mundo ilusório das coisas sensíveis, corruptíveis, e que, portanto, não constituem objecto de conhecimento. É que vivemos um momento eleitoral demasiado importante para os “truques” criados por aqueles que não querem discutir as coisas que prometeram fazer e não fizeram, e agora voltam a prometer de novo. Sabe Mario Crespo, o cérebro é uma coisa maravilhosa. O Mário Crespo devia ter um…

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

José Sócrates – O “bombo” da festa…


A acreditar nos jornais, vida vai negra para o primeiro ministro. Se não vejamos, pensava que agredia impunemente professores, juizes, policias, e outras tantas classes profissionais, e levou com enormes manifestações de protesto na rua.

Pensava que podia aumentar os impostos e assim angariar fundos para fazes brilharetes eleitorais no fim da legislatura e levou com uma crise internacional que o levou a gastar o dinheiro a apoiar uma meia dúzia de empresas, fingindo que apoiava muitas mais.

Pensava que podia contar com o efeito positivo da aldrabice criada pelo seu muito competente Governador do banco de Portugal, que ao contrário do caso BPN, não se esqueceu de ser “diligente” e “incisivo” na hora de fabricar um número convenientemente alto para o déficit deixado pelo Governo do PSD. No entanto levou com um aumento do déficit de mais de 100% (!!!), no final da presente legislatura.

Pensava e disse que ainda não tinha nascido um Primeiro Ministro melhor que ele, e no entanto levou com o Francisco Louçã a lembrar-lhe que, na verdade, ainda não tinha nascido um Primeiro Ministro com um desempenho tão mau, nomeadamente, com o aumento do desemprego para níveis nunca vistos em Portugal, acompanhado pelo crescimento das falências e pela queda abruta do PIB.

Pensava que ganhava as eleições europeias e levou com uma derrota das grandes. Pensava que podia ter autoridade moral para se vitimizar junto dos restantes grupos parlamentares e levou com os “chifres” de Manuel Pinho.

Pensava que podia criar um movimento contra a incomoda Moura Guedes, primeiro através do seu “cão de fila” Marinho Pinto (infeliz bastonário de uma Ordem que já teve Digníssimos Representantes), depois exortando contra uma “campanha negra” promovida pelo jornal da TVI, e finalmente com uma tentativa abortada de compra daquela estação pela PT, e levou com a demissão de Moura Guedes na pior altura, precisamente no momento em que faz mais mal que bem ao PS, precisamente a duas semanas das eleições.

José Sócrates, poderá ser vitima do seu azar, ou até vitima de companheiros (que ele escolheu), como o “chifrudo” Pinho, o “jamais” Lino, a intratável Maria de Lurdes Rodrigues, ou o execrável e agressivo Santos Silva. Uma coisa é verdade, o Primeiro Ministro já é, nesta altura, o “bombo” da festa…