segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O cérebro é uma coisa maravilhosa. O Mário Crespo devia ter um…

O decano Mário Crespo, jornalista que já admirei no passado pela sua objectividade e isenção (entretanto perdidas), num texto recente em que se dedicava a dar mais um coices em Manuela Ferreira Leite, cita de Karl Marx, na sua introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, a seguinte frase: “A fase final na história de um sistema político é a comédia”.

Pois bem, esse jornalista que já foi grande exemplo de acutilância para os seus pares, hoje está reduzido à mais pobre das sombras de si próprio. Uma espécie de imagem viva da “Alegoria da caverna” que Platão criou no livro VII da sua “República”. Ora a tal “Alegoria” criada por Platão (que em termos de sagacidade metia Sócrates no bolso), pretende exemplificar como nos podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.

Acontece que, com este Mário Crespo, a “luz da verdade” não passa de algo entre uma comédia e um frete a José Sócrates. Mário Crespo contribui com a sua actual postura jornalística para branquear tantas a tantas malandrices (processo PT/TVI; processo Manuela Moura Guedes/TVI; o recente “caso das escutas” que branqueia uma “guerra” entre o Jornal Público e o PS, etc...), que até mete pena ver um tal arauto do jornalismo “independente” assumir tais posturas, sem que, ao menos, Sócrates o escolha para mandatário jornalístico da campanha. Bem sei que, se tal acontecesse, seria certo que Júdice de Sousa teria um ataque de ciúmes… Se calhar o problema é que há muitos a fazer os tais “fretes”… Não é, caro Mário Crespo?

Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das ideias (diánoia e nóesis). Para o filósofo, a realidade está no mundo das ideias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo ilusório das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são mutáveis, corruptíveis, não são funcionais e, por isso, não são objectos de conhecimento.

Ora, caro Mário Crespo, cá vai uma nota para si (que não pretende ser jornalística, pois não me mascaro de jornalista), tente regressar ao mundo da consciência e abandone a sua actual condição de ignorante que vive no mundo ilusório das coisas sensíveis, corruptíveis, e que, portanto, não constituem objecto de conhecimento. É que vivemos um momento eleitoral demasiado importante para os “truques” criados por aqueles que não querem discutir as coisas que prometeram fazer e não fizeram, e agora voltam a prometer de novo. Sabe Mario Crespo, o cérebro é uma coisa maravilhosa. O Mário Crespo devia ter um…

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