segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Manuela Ferreira Leite e o Candidato



Os partidos do “arco do poder” (expressão actualmente em voga na gíria política), quando se encontram em fases de travessia no deserto, como é actualmente o caso do PSD, sofrem como que um ocaso de disponibilidades para as candidaturas mais relevantes, como por exemplo à Câmara de Lisboa. É o medo, até certo ponto natural, que certos “notáveis” têm de se “queimarem” em ambientes adversos.

Isto sucede, de forma alternada, quer a PS, quer a PSD. Contudo o PSD, neste momento conturbado da sua vida interna, após as lideranças de Marques Mendes e de Menezes, está ainda à procura da sua estabilidade em torno da líder Manuela Ferreira Leite. É portanto neste enquadramento que surgem as eleições a Lisboa.

Dispensando o leitor de outras considerações de estratégia partidária, como o facto de o quadro eleitoral ser o que é para 2009, com as autárquicas e as legislativas em datas muito próximas e o efeito de contágio que as votações da primeira podem ter na segunda, o facto é que a líder do PSD, tinha em Lisboa um desafio grande para ganhar.

É que a Câmara da capital, representa um trunfo eleitoral histórico importante, recorde-se que a última vitoria eleitoral do PSD, ao derrotar de forma um tanto inesperada o PS de João Soares, serviu de pronuncio para a governação laranja que se seguiu. Ora, faz sentido, já por este argumento, ir buscar o obreiro de tal vitória que serviu de gazua eleitoral.

Por outro lado, a gestão de António Costa à frente da CML, tem-se pautado por um estranho imobilismo, dando a ideia de que haveria algum receio de que os múltiplos projectos e iniciativas que a autarquia tivesse entretanto dinamizado pudessem, em última análise, prejudicar a reeleição do candidato do PS. A verdade é que, entretanto a Câmara se afundou num marasmo de imobilismo, exclusivamente centrado nas contas da edilidade, que sendo um objectivo de salutar, só por si, não permitiu dar um passo na solução de diversas questões pendentes da cidade desde Alcântara, Praça do Comércio, Parque Mayer, Feira Popular, ou ainda a Reabilitação Urbana em força do enorme parque imobiliário degradado (muito dele da própria CML).

É neste enquadramento que Pedro Santana Lopes se apresenta como candidato, tendo obra feita, com vários programas de reabilitação urbana lançados, desde Alfama até à Mouraria. Com as únicas decisões palpáveis para desbloquear a situação arrastada do Parque Mayer, com o lançamento das bases para aquilo que hoje é uma das maiores fontes de rendimento da CML, o casino. Com o fecho do Bairro Alto ao trânsito automóvel. Com o lançamento da construção da biblioteca e arquivo central da câmara, permitindo concentrar valioso espolio municipal disperso por vários edifícios em más condições de conservação. Com o lançamento e execução do programa “uma piscina em cada bairro”. E, finalmente, com a construção do Túnel do Marquês, obra cuja utilidade e qualidade hoje ninguém discute. E, já agora, pergunta-se, de que lado está agora Sá Fernandes, o grande opositor do túnel, com todos os prejuízos que causou?

Saiba Pedro Santana Lopes apresentar uma sólida candidatura, rodeando-se de novas pessoas, capazes de o assessorar com qualidade, e manter um programa realista para cumprir até ao termo do mandato e, eventualmente, terá uma (quem sabe derradeira) oportunidade para terminar a obra que começou em Lisboa, e ao mesmo tempo servir de alavanca para Manuela Ferreira Leite apresentar os bons resultados de que o partido tanto precisa.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Senhor Coragem


A mim ninguém me cala! Claro que Manuel Alegre, principalmente nesta fase da vida do partido socialista, nunca pediu nem pedirá licença para se manifestar discordante com as politicas socialmente agressivas de Sócrates, nem este quer atacar os “Alegristas” pois sabe que se o fizer perderá definitivamente a ala esquerda do PS, e muito provavelmente a maioria absoluta nas próximas legislativas.

Dito isto, que é do conhecimento comum, fica agora uma apreciação mais pessoal sobre o que Manuel Alegre foi dizer à Aula Magna, perante um auditório repleto de gente de quase todas as esquerdas, Socialistas, Bloquistas, e ainda, muito interessante, um ou outro PSD. Assim, e muito ao invés do que pensa o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, pessoa muito mais inteligente e conhecedora que eu, não penso que o PSD possa ganhar as eleições com a eventual criação de um partido à esquerda do PS, federador da esquerda descontente com o governo de Sócrates.

Isto porque, ao contrário do que defende o Ilustre Professor, penso que o PSD não ganhará eleição alguma pelo defeito ou virtude de terceiros, ou por qualquer conjuntura politica favorável. O voto no PSD tem de ser conquistado com o mérito, com a confiança dos eleitores no partido, evitando gafes, escândalos, e saídas menos felizes dos seus dirigentes, mas também propondo alternativas a esta politica errática que foi de matriz “neo-liberal”, mas que agora parece “socializante” (muito embora o seja, fundamentalmente, apenas para os prejuízos da banca).

Enquanto essa alternativa de governo PSD não se torna realidade, e Manuela Ferreira Leite tem um árduo e longo trabalho à sua frente, sem que, para além de Rui Rio, se veja quem de forma credível a pode ajudar, temos de olhar para o discurso de ontem de Manuel Alegre (juntamente com o bloco), como sendo, no momento, a única forte alternativa ao governo de Sócrates, que, circunstancialmente, é também do PS.

domingo, 7 de dezembro de 2008

PSD à beira do fim


Começo por uma declaração de intenções. Sou militante do PSD. Nos tempos que correm assumir isto já começa a ser um acto de coragem.

De facto, mal tive conhecimento de que, o projecto do CDS-PP que recomendava ao Governo a suspensão da avaliação dos professores, não passou porque na bancada do PSD, registaram-se as ausências de 30 dos 75 deputados (cerca de 2/3!!), pensei em telefonar à líder do PSD para a informar que estou à disposição para, com grande sacrifício pessoal, ocupar um dos 30 lugares disponíveis, e comigo estão de certeza vários milhares de militantes, para quem, vá-se lá saber porquê, a política ainda é uma coisa para encarar com um certo espirito de missão.

Mas, não tenhamos ilusões, os caciques do partido, aqueles que dominam de forma profissional, as secções, as concelhias, as distritais, tapam aqueles outros que sendo muito mais capazes de pensar e de criar verdadeiras correntes de pensamento, no entanto, têm uma vida de trabalho produtivo nos seus empregos e como tal, não podem andar na verdadeira “fraldesquiçe” que se tornou a vida partidária dentro das estruturas do PSD.

Eu conheço alguns desses caciques dos bancos da faculdade e dos tempos das associações académicas, sempre em busca do protagonismo pelo protagonismo, secos de ideias, áridos de valores, seguidistas nas posições, atávicos nos métodos. E assim vão andando, ao colo dos “padrinhos”, até que integram as listas de uma qualquer eleição sem que da vida e do “batente” do dia-a-dia, saibam mais do que quais as mil e uma maneiras para lamber as botas a quem organiza as listas e se fazerem notados (até serem deputados, onde, pelos vistos, passam a primar pela ausência) .

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, revelou que chamou o líder da bancada social-democrata, Paulo Rangel, à sede do partido para saber quem foram os deputados que faltaram. Muito bem, mas mais uma vez não tenhamos ilusões, nem Rangel tem a exclusiva culpa do que aconteceu, muito menos merece o papel ingrato de delator, nem Manuela Ferreira Leite vai conseguir por a casa em ordem, enquanto o PSD for um partido de meros caciques locais arvorados em deputados da Nação, em vez de ser um partido em busca permanente de talentos e de pensadores, será inexoravelmente um partido à beira do fim.