domingo, 7 de dezembro de 2008

PSD à beira do fim


Começo por uma declaração de intenções. Sou militante do PSD. Nos tempos que correm assumir isto já começa a ser um acto de coragem.

De facto, mal tive conhecimento de que, o projecto do CDS-PP que recomendava ao Governo a suspensão da avaliação dos professores, não passou porque na bancada do PSD, registaram-se as ausências de 30 dos 75 deputados (cerca de 2/3!!), pensei em telefonar à líder do PSD para a informar que estou à disposição para, com grande sacrifício pessoal, ocupar um dos 30 lugares disponíveis, e comigo estão de certeza vários milhares de militantes, para quem, vá-se lá saber porquê, a política ainda é uma coisa para encarar com um certo espirito de missão.

Mas, não tenhamos ilusões, os caciques do partido, aqueles que dominam de forma profissional, as secções, as concelhias, as distritais, tapam aqueles outros que sendo muito mais capazes de pensar e de criar verdadeiras correntes de pensamento, no entanto, têm uma vida de trabalho produtivo nos seus empregos e como tal, não podem andar na verdadeira “fraldesquiçe” que se tornou a vida partidária dentro das estruturas do PSD.

Eu conheço alguns desses caciques dos bancos da faculdade e dos tempos das associações académicas, sempre em busca do protagonismo pelo protagonismo, secos de ideias, áridos de valores, seguidistas nas posições, atávicos nos métodos. E assim vão andando, ao colo dos “padrinhos”, até que integram as listas de uma qualquer eleição sem que da vida e do “batente” do dia-a-dia, saibam mais do que quais as mil e uma maneiras para lamber as botas a quem organiza as listas e se fazerem notados (até serem deputados, onde, pelos vistos, passam a primar pela ausência) .

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, revelou que chamou o líder da bancada social-democrata, Paulo Rangel, à sede do partido para saber quem foram os deputados que faltaram. Muito bem, mas mais uma vez não tenhamos ilusões, nem Rangel tem a exclusiva culpa do que aconteceu, muito menos merece o papel ingrato de delator, nem Manuela Ferreira Leite vai conseguir por a casa em ordem, enquanto o PSD for um partido de meros caciques locais arvorados em deputados da Nação, em vez de ser um partido em busca permanente de talentos e de pensadores, será inexoravelmente um partido à beira do fim.

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