segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Manuela Ferreira Leite e o Candidato



Os partidos do “arco do poder” (expressão actualmente em voga na gíria política), quando se encontram em fases de travessia no deserto, como é actualmente o caso do PSD, sofrem como que um ocaso de disponibilidades para as candidaturas mais relevantes, como por exemplo à Câmara de Lisboa. É o medo, até certo ponto natural, que certos “notáveis” têm de se “queimarem” em ambientes adversos.

Isto sucede, de forma alternada, quer a PS, quer a PSD. Contudo o PSD, neste momento conturbado da sua vida interna, após as lideranças de Marques Mendes e de Menezes, está ainda à procura da sua estabilidade em torno da líder Manuela Ferreira Leite. É portanto neste enquadramento que surgem as eleições a Lisboa.

Dispensando o leitor de outras considerações de estratégia partidária, como o facto de o quadro eleitoral ser o que é para 2009, com as autárquicas e as legislativas em datas muito próximas e o efeito de contágio que as votações da primeira podem ter na segunda, o facto é que a líder do PSD, tinha em Lisboa um desafio grande para ganhar.

É que a Câmara da capital, representa um trunfo eleitoral histórico importante, recorde-se que a última vitoria eleitoral do PSD, ao derrotar de forma um tanto inesperada o PS de João Soares, serviu de pronuncio para a governação laranja que se seguiu. Ora, faz sentido, já por este argumento, ir buscar o obreiro de tal vitória que serviu de gazua eleitoral.

Por outro lado, a gestão de António Costa à frente da CML, tem-se pautado por um estranho imobilismo, dando a ideia de que haveria algum receio de que os múltiplos projectos e iniciativas que a autarquia tivesse entretanto dinamizado pudessem, em última análise, prejudicar a reeleição do candidato do PS. A verdade é que, entretanto a Câmara se afundou num marasmo de imobilismo, exclusivamente centrado nas contas da edilidade, que sendo um objectivo de salutar, só por si, não permitiu dar um passo na solução de diversas questões pendentes da cidade desde Alcântara, Praça do Comércio, Parque Mayer, Feira Popular, ou ainda a Reabilitação Urbana em força do enorme parque imobiliário degradado (muito dele da própria CML).

É neste enquadramento que Pedro Santana Lopes se apresenta como candidato, tendo obra feita, com vários programas de reabilitação urbana lançados, desde Alfama até à Mouraria. Com as únicas decisões palpáveis para desbloquear a situação arrastada do Parque Mayer, com o lançamento das bases para aquilo que hoje é uma das maiores fontes de rendimento da CML, o casino. Com o fecho do Bairro Alto ao trânsito automóvel. Com o lançamento da construção da biblioteca e arquivo central da câmara, permitindo concentrar valioso espolio municipal disperso por vários edifícios em más condições de conservação. Com o lançamento e execução do programa “uma piscina em cada bairro”. E, finalmente, com a construção do Túnel do Marquês, obra cuja utilidade e qualidade hoje ninguém discute. E, já agora, pergunta-se, de que lado está agora Sá Fernandes, o grande opositor do túnel, com todos os prejuízos que causou?

Saiba Pedro Santana Lopes apresentar uma sólida candidatura, rodeando-se de novas pessoas, capazes de o assessorar com qualidade, e manter um programa realista para cumprir até ao termo do mandato e, eventualmente, terá uma (quem sabe derradeira) oportunidade para terminar a obra que começou em Lisboa, e ao mesmo tempo servir de alavanca para Manuela Ferreira Leite apresentar os bons resultados de que o partido tanto precisa.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Senhor Coragem


A mim ninguém me cala! Claro que Manuel Alegre, principalmente nesta fase da vida do partido socialista, nunca pediu nem pedirá licença para se manifestar discordante com as politicas socialmente agressivas de Sócrates, nem este quer atacar os “Alegristas” pois sabe que se o fizer perderá definitivamente a ala esquerda do PS, e muito provavelmente a maioria absoluta nas próximas legislativas.

Dito isto, que é do conhecimento comum, fica agora uma apreciação mais pessoal sobre o que Manuel Alegre foi dizer à Aula Magna, perante um auditório repleto de gente de quase todas as esquerdas, Socialistas, Bloquistas, e ainda, muito interessante, um ou outro PSD. Assim, e muito ao invés do que pensa o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, pessoa muito mais inteligente e conhecedora que eu, não penso que o PSD possa ganhar as eleições com a eventual criação de um partido à esquerda do PS, federador da esquerda descontente com o governo de Sócrates.

Isto porque, ao contrário do que defende o Ilustre Professor, penso que o PSD não ganhará eleição alguma pelo defeito ou virtude de terceiros, ou por qualquer conjuntura politica favorável. O voto no PSD tem de ser conquistado com o mérito, com a confiança dos eleitores no partido, evitando gafes, escândalos, e saídas menos felizes dos seus dirigentes, mas também propondo alternativas a esta politica errática que foi de matriz “neo-liberal”, mas que agora parece “socializante” (muito embora o seja, fundamentalmente, apenas para os prejuízos da banca).

Enquanto essa alternativa de governo PSD não se torna realidade, e Manuela Ferreira Leite tem um árduo e longo trabalho à sua frente, sem que, para além de Rui Rio, se veja quem de forma credível a pode ajudar, temos de olhar para o discurso de ontem de Manuel Alegre (juntamente com o bloco), como sendo, no momento, a única forte alternativa ao governo de Sócrates, que, circunstancialmente, é também do PS.

domingo, 7 de dezembro de 2008

PSD à beira do fim


Começo por uma declaração de intenções. Sou militante do PSD. Nos tempos que correm assumir isto já começa a ser um acto de coragem.

De facto, mal tive conhecimento de que, o projecto do CDS-PP que recomendava ao Governo a suspensão da avaliação dos professores, não passou porque na bancada do PSD, registaram-se as ausências de 30 dos 75 deputados (cerca de 2/3!!), pensei em telefonar à líder do PSD para a informar que estou à disposição para, com grande sacrifício pessoal, ocupar um dos 30 lugares disponíveis, e comigo estão de certeza vários milhares de militantes, para quem, vá-se lá saber porquê, a política ainda é uma coisa para encarar com um certo espirito de missão.

Mas, não tenhamos ilusões, os caciques do partido, aqueles que dominam de forma profissional, as secções, as concelhias, as distritais, tapam aqueles outros que sendo muito mais capazes de pensar e de criar verdadeiras correntes de pensamento, no entanto, têm uma vida de trabalho produtivo nos seus empregos e como tal, não podem andar na verdadeira “fraldesquiçe” que se tornou a vida partidária dentro das estruturas do PSD.

Eu conheço alguns desses caciques dos bancos da faculdade e dos tempos das associações académicas, sempre em busca do protagonismo pelo protagonismo, secos de ideias, áridos de valores, seguidistas nas posições, atávicos nos métodos. E assim vão andando, ao colo dos “padrinhos”, até que integram as listas de uma qualquer eleição sem que da vida e do “batente” do dia-a-dia, saibam mais do que quais as mil e uma maneiras para lamber as botas a quem organiza as listas e se fazerem notados (até serem deputados, onde, pelos vistos, passam a primar pela ausência) .

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, revelou que chamou o líder da bancada social-democrata, Paulo Rangel, à sede do partido para saber quem foram os deputados que faltaram. Muito bem, mas mais uma vez não tenhamos ilusões, nem Rangel tem a exclusiva culpa do que aconteceu, muito menos merece o papel ingrato de delator, nem Manuela Ferreira Leite vai conseguir por a casa em ordem, enquanto o PSD for um partido de meros caciques locais arvorados em deputados da Nação, em vez de ser um partido em busca permanente de talentos e de pensadores, será inexoravelmente um partido à beira do fim.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Noticias e Jornalistas




Não é por causa de o Sr. Presidente da República se ver obrigado a publicar as suas fontes de rendimento e aplicações financeiras com receio da criatividade dos jornalistas, que obviamente não se ensaiam nada em manchar a sua imagem, sem pensar duas vezes que se trata da primeira figura do Estado, pelo simples facto de ter como amigo Dias Loureiro, seja este individuo quem seja…

Não é por causa de ser óbvio para uma criança de 5 anos que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite, foi muito pressionada pelos jornalistas para falar para depois, cada vez que fala, seja por que motivo for, com ironia, com sarcasmo, ou seja com outra figura de estilo qualquer, os mesmos jornalistas procuram sempre a mesma coisa, denegrir as suas palavras e apagar a mensagem politica que tenta transmitir…

Não é por a minha carreira profissional ter sido quase destruída por causa de uma jornalista do Público chamada Ana Henriques, que decidiu ficcionar uma determinada situação inexistente, envolvendo o meu nome…

A verdade é que, pessoas sérias, honestas e trabalhadoras, são manchadas e amassadas por uns quantos “jornalistas” ao serviço de interesses mais ou menos inconfessáveis, mas ao mesmo tempo óbvios. A verdade é que, se pensarmos com maior profundidade sobre o assunto, o governo não fez com o estatuto dos jornalistas o que está a fazer a propósito dos professores… Mal ou bem, melhor ou pior, levar as coisas até ao fim.

Um país que tem este conjunto de maus profissionais, que confundem “opinar” e “insinuar” com jornalismo, não pode ter bons órgãos de comunicação social, e nesse caso, quem tem razão é mesmo o Prof. Cavaco Silva, a resposta a dar é mesmo não ler estes jornais.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Castilho dos Santos trucida José Sócrates


Estava José Sócrates a dar o seu melhor (não sei se alguém reparou) para dar a outra imagem de si próprio e deste governo, por forma a isolar Manuela Ferreira Leite à direita, devido aos seus comentários sobre o emprego aos cidadãos de leste e de Cabo Verde, a propósito da politica de obras públicas, qual perigosa defensora da extrema-direita e da violência xenófoba, eis quando senão… Castilho dos Santos falou.


Castilho dos Santos, esse importantíssimo secretário de Estado da Administração Pública do presente governo socialista (com « s » pequeno). A bem da verdade, ninguem conhecia Castilho dos Santos e o homem devia andar aborrecido da vida. Afinal ser secretario do governo de José Sócrates deve ser um incomodo porque, tantos anos à espera para ligar para casa a dizer « Mama já sou secretário de Estado » e depois o senhor Primeiro Ministro não nos dá relevância publica nenhuma. Até a sua mama já duvidava se realmente Castilho dos Santos seria mesmo secretário de Estado.


Isto até que Castilho dos Santos resolveu brindar-nos a todos, com um expressivo « os trabalhadores que não estão com a reforma serão trucidados ». O que o senhor secretário de Estado não sabe é que « trucidado » muito provavelmente será ele, porque, das duas uma, ou o eng.º Sócrates o « trucida » para evitar ser ele próprio « trucidado », numa inteligente politica de contenção de danos. Ou, por outro lado, há pelo menos 120.000 almas que, pelo que temos visto ali para as bandas da Av. da Liberdade não se importarão de trucidar o PS, votando num qualquer outro partido da oposição que não tenham como discurso e forma de acção politica a ameaça de « trucidar » os seus opositores…


A verdade é que Castilho dos Santos não tem culpa do que disse, afinal andou tanto tempo a ouvir o José Socrates e a ministra da educação que o coitado pensou que estava a alinhar pela "musica" que a "banda socialista" andava a tocar. Só que, ó senhor secretário de Estado, a sua "banda" já está a tocar outra "musica"… Ainda não ouviu ?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Alternativas



O facto de, pela segunda vez no espaço de oito meses, estarem cerca de 120 mil professores na rua, motiva uma reflexão sobre as alternativas ao actual governo socialista.

Não se trata de repisar os argumentos a propósito da avaliação dos professores, nem chamar à colação as incumpridas promessas eleitorais do governo, como a suposta criação dos empregos (real, supunha-se, e não apenas ponderada os que entretanto desapareceram), ou como a suposta convergência com a média do crescimento europeu, que nunca existiu, na verdade, nem estamos a crescer. Nessa medida, o que se pretende é olhar para a líder do maior partido da oposição e tentar ver o que a Dra. Manuela Ferreira Leite (MFL) tem para oferecer de diferente, por forma a perceber se é possível dizer que existe uma opção válida.

Vejamos então: MFL defende o apoio às pequenas e médias empresas, dado que, segundo os números que apresenta é aí que se defende o emprego. Assim, para MFL seria imperioso, neste momento, o Estado “acertar contas” com as PME’s a nível fiscal e, presume-se a nível do pagamento das encomendas e compras ainda por pagar (cerca de 2 mil milhões de euros), sendo que, tal medida, juntamente com a redução de 1% na taxa social única, o alargamento do período de atribuição de subsidio de desemprego, e finalmente, na revitalização dos certificados de aforro, significaria um aumento do deficit de 2,2% para 2,6% (ainda dentro da margem dos até 3% que a UE estabeleceu para 2009).

Por outro lado, MFL defende uma revisão de certos dogmas do actual governo socialista, tais como, o novo Aeroporto e o TGV, tendo explicado que não se trata de parar o investimento público, mas de adequa-lo em função da actual crise financeira e ponderá-lo na medida do rácio custo beneficio evitando endividar as gerações futuras com obras de impacto social limitado (como auto-estradas em zonas já servidas por boas vias de comunicação ou como a falta de rentabilidade da maioria das linhas do TGV, por contraposição com os preços das ligações aéreas). Ainda uma palavra para o estilo de governação, isto porque MFL tem evoluído as suas posições para uma clara clivagem com o actual governo de José Sócrates, em relação aos métodos de governação.

Assim, MFL critica a forma como se processou o aumento do salário mínimo, sem que, em face do agravamento da situação económica internacional o plano de aumentos até 2011 (500 euros), fosse objecto de nova apreciação na concertação social. Finalmente, MFL compreendeu os argumentos dos professores e afirmou que, em face do descontentamento da larga maioria dos profissionais da educação, seria melhor ponderar o método de avaliação e aperfeiçoa-lo a quem o aplica, por forma, a torna-lo exequível.

Em face destes e outros argumentos, julgo que, MFL pode até não ter o ar moderno do primeiro-ministro, pode não correr “meia dúzia de km’s” pelas ruas das capitais que visita, ou até, não ter perfil para vender computadores Magalhães numa qualquer reunião Latino-Americana, no entanto, uma alternativa válida e democrática começa a desenhar-se, a bem da Nação.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A carga pronta e metida nos contentores...


Em meados de Abril deste ano o governo anunciou um investimento de mais de 400 milhões de Euros até 2013, na zona ribeirinha de Alcântara e no próprio terminal de contentores que existe naquela zona tutelada pela APL. Na altura, o Sr. Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, explicou que o desnivelamento das linhas de comboio será concretizado com a colocação destas num túnel por baixo da Avenida 24 de Julho e das linhas Cascais-Lisboa, que serão ligadas ao porto de Lisboa e ao terminal de contentores.

Sabemos agora através de diploma legal publicado no Diário da Republica que a empresa que explora a concessão do terminal de contentores de Alcântara viu, ao arrepio de qualquer procedimento concursal, o prazo da sua concessão estendido por mais 27 anos. Sabe-se também que a concessionaria do terminal é a Liscont, sendo que existem relações muito estreitas com a empresa Mota-Engil, que por sua vez tem na sua administração uma figura de destaque do universo socialista, o Dr. Jorge Coelho.

Na realidade o terminal de contentores de Alcântara é mais uma das adaptações em que o nosso país é fértil, sendo provisório desde os anos 80, altura em que o terminal de Santa Apolónia saturou. A sua localização na malha urbana da capital é desadequada para aquele tipo de operações e as obras previstas traduzem-se na liquidação de qualquer ideia de aproveitamento turístico para cruzeiros que, naquele local, poderiam despejar os visitantes embarcados positivamente no centro da capital, para além de que a ampliação deste terminal para o triplo da capacidade actual, de 350 000 para 1 000 000 de TEU (twenty-foot equivalent unit), significa a edificação de uma autentica parede de contentores entre o rio e a cidade. Pergunta-se então, quem ganha com isto?

A resposta está, desta vez à vista de todos… Ganha a Liscont (com a sua concessão alargada por ajuste directo por mais 27 anos), ganha a Mota-Engil (para alem da sua ligação à Liscont, e consequente partilha de proveitos, ainda será o empreiteiro que realizará as obras previstas – mais uma vez por ajuste directo), ganha o partido socialista, que assim faz o que pensa ser um “brilharete” sem gastar um cêntimo (dos tais de 400 milhões de euros que a intervenção vai custar, 227 virão da Liscont e os outros 180 da Refer e do Porto de Lisboa). Mas e o cidadão, e a cidade de Lisboa… Ganham alguma coisa com mais este “caldinho” à maneira socialista?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Novo Código do Trabalho… O sinal dos tempos


O novo Código do Trabalho, esse monumento ao “reformismo socialista” do país laboral, promovido pelo governo de José Sócrates, está em discussão pelos trabalhadores de algumas grandes empresas estabelecidas em território Português (como é o caso da Autoeuropa). Tal iniciativa é promovida pela CGTP de Carvalho da Silva e merece nota muito positiva.

Em primeiro lugar porque a ideia de discutir em plenário com os visados por um qualquer dispositivo legal é tão salutar como o é o facto de vivermos em democracia e apesar de infelizmente uma maioria ter sido enganada por partido socialista “camaleão” que não tem qualquer cultura democrática, mesmo sem concertação social (não se pode pedir a José Sócrates que compreenda o valor de uma coisa que o primeiro ministro não compreende o que é), a verdade é que o Código de Trabalho “socialista” tem de ser conhecido de debatido pelas pessoas e nem se diga que a discussão parlamentar é suficiente, porque em democracia, nem tudo se limita à discussão parlamentar, e mais ainda quando se trata de uma matéria tão sensível como as Leis Laborais.

Em segundo lugar, porque a outra estrutura sindical, a UGT, desse tal João Proença, se demitiu pura e simplesmente de discutir o diploma com as pessoas. Não há sessões de esclarecimento, não debates ou assembleias promovidas por essa estrutura sindical. Pelo menos que se conheçam, e isso é mesmo muito mau. A UGT não pode, não deve, anular-se devido ao seu compromisso com o partido socialista do José Sócrates. Isso nunca aconteceu antes, e a acontecer agora, como está a acontecer, significa uma agressão ao sindicalismo sem precedentes. É lamentável e demonstra que este governo é não só inculto politicamente, como também perigosamente insensível em relação às “válvulas de escape” do sistema político e social…

Finalmente, numa época em que falham todas as outras estruturas de apoio e debate social (excepto, talvez, as de caridade social), nomeadamente a quando a Igreja, cometendo um erro crasso e verdadeiramente auto-destrutivo, se afasta do seu papel tradicional de guardiã de uma moral social que a levou a assumir, no passado, bastas vezes, e em voz alta, a defesa dos mais fracos e desfavorecidos, é na CGTP que se congregam as poucas esperanças de haver debate público, verdadeiramente alargado, sobre o Código do Trabalho. É que embora se saiba que o PS do José Sócrates não tem cultura politica para entender isto, no entanto julgo que já todos vimos no que dá acreditar piamente nos dogmas neo-liberais… E para bom entendedor…

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Portugal... "Estancado".


Portugal, país belo com bom clima e boas praias, em que é um privilégio viver, no entanto, existe, pelo menos, uma questão misteriosa a merecer tratamento aprofundado e urgente. Trata-se de compreender qual é a causa dos repetidos insucessos nacionais.


Em geral, veja-se nomeadamente o que se passa com a economia “estancada” (como terá dito o Sr. Sócrates ao líder Venezuelano Hugo Chavez), ou ainda o desenvolvimento urbano caótico, a educação, a justiça, e a saúde, continuamente em estado de permanente ruptura e conflito entre agentes e governo.Quem segue os jornais e a televisão, lê e ouve coisas como os trabalhadores têm pouca produtividade, os empreiteiros são uns selvagens e constroem em todo o lado, os professores, juízes e médicos são uns malandros porque trabalham pouco e ganham muito. Verdade?


Contudo, longe desses “sound bites” lançados, podemos concluir que quem diz isso pretende, regra geral, instrumentalizar a opinião pública para depois implementar medidas para agredir essas classes profissionais, procurando obter maiores compressões salariais, redução de direitos, em suma, massacrar a classe média por forma a gerir as contas públicas e privadas de forma mais folgada.


E este é o modelo, não assumido, de gestão quer público, quer privado, que se pratica em Portugal.Porém os trabalhadores Portugueses que trabalham lá fora são sempre bem reputados, veja-se que até em alguns casos fazem fortuna e atingem cargos políticos de relevo, como em França ou nos Estados Unidos. Que se passa então? É notório que falta capacidade de liderança a este povo talentoso e com muita qualidade.


Este país que se soube democratizar, ainda não realizou que é preciso formar bons lideres, criar uma escola de liderança que forme moral e cientificamente gente capaz de comandar uma empresa com humanidade e rigor, ou de comandar um governo com honestidade e bom senso, ou ainda comandar uma câmara municipal com pragmatismo e sem favorecimentos. É que sem bons líderes, os melhores trabalhadores do mundo são incapazes de alcançar os resultados.

Felizmente que, noutros tempos, ainda chegamos ao Brasil e à Índia… Assim temos um bom termo de comparação.






quarta-feira, 16 de julho de 2008

Como reabilitar as zonas degradadas?








O assunto é cíclico, arde um prédio numa zona histórica, seguem-se imagens do braseiro e dos bombeiros em acções valentes de combate, depois vem o comandante da respectiva corporação garantir que está tudo sobre controle, o presidente da respectiva câmara enaltece a coragem e eficácia dos serviços, desde sapadores até à protecção civil e, finalmente, surgem as entrevistas, com a nota quase obrigatória de o decano Sr. Arq. Ribeiro Telles dizer de sua justiça o que vai mal no planeamento urbanístico nacional, finalmente, uns dias depois, já ninguém se lembra de nada e a vida segue, até ao próximo.

No intervalo entre um incêndio e outro, ou entre uma derrocada e outra, em edifícios devolutos nos centros históricos das cidades, assistimos pontualmente à publicação de alguns diplomas legais, muito interessantes sobre a matéria, tais como: O regime jurídico das Sociedades de Reabilitação Urbana (SRU´s); As medidas fiscais para penalizar os prédios devolutos em sede de IMI; O novo regime do arrendamento (NRAU), que impõe um regime de obras coercivas aos proprietários e pode em ultima analise levar até à expropriação da propriedade ao senhorio em benefício do inquilino que pretenda efectuar obras de recuperação do locado. Tudo muito bem, mas estes regimes funcionam? O número de prédios devolutos e em risco de ruína que perduram nos centros históricos facilmente nos demonstram que não.

Tal actividade legislativa embora meritória na sua intenção de, por um lado, criar mecanismos de acção ou, por outro lado, compelir os proprietários renitentes a agir no sentido da recuperação do seu património imobiliário, no entanto, tem um “calcanhares de Aquiles” evidente. Ataca o problema pelo lado errado. Pressionar proprietários sem rendimentos e com património desvalorizado é, na maioria dos casos, “bater no ceguinho”, contar com os inquilinos para pressionar os senhorios a fazer obras não funciona, na medida em que, também estes não estão interessados em fazer aumentar as rendas por causa daquelas.

A solução terá necessariamente de ser apoiada nos seguintes parâmetros. Em primeiro lugar ao nível do planeamento, os PDM’s têm de dificultar em toda a escala e, principalmente, nos grandes aglomerados urbanos, a construção de obra nova. Nessa medida, e perante tal impedimento, a reabilitação urbana começará a ser olhada com “outros olhos” pelos empreiteiros, na medida em que será aí que vão encontrar as novas áreas de negócio. Por outro lado, para além dos benefícios fiscais (que já existem), é imperioso garantir o efeito escala. As intervenções pontuais não são exequíveis por uma variedade de razões (dificuldades de acesso, limitação da eficácia da intervenção em termos de melhorias substanciais de salubridade e habitabilidade, impacto diminuto a nível arquitectónico, dificuldade na melhoria das infra-estruturas urbanísticas). Assim, há que compreender que é imperioso realizar um investimento ao nível municipal (com apoio do orçamento de estado), com processos conduzidos por entidades próximas das câmaras e capazes de gerir os processos desde o levantamento ao licenciamento, e ainda, no caso de imóveis que não constem do parque municipal, para realizar as eventuais expropriações, se os respectivos proprietários ou arrendatários não se encontrem disponíveis para colaborar no processo de reabilitação.

Só criando esta dinâmica, através das medidas referidas, será possível atingir os resultados que as meras intervenções pontuais e programas municipais avulsos não têm logrado alcançar.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O Alerta Laranja…



Segundo o barómetro da Sondagem SIC/Expresso/Rádio Renascença o PS continua a descer nas intenções de voto dos Portugueses. Segundo os dados deste mês, “se as legislativas fossem hoje, 40 por cento dos portugueses votariam nos socialistas, menos 1,8 por cento do que no mês passado, o pior resultado desde que o partido foi eleito com maioria absoluta”. Por outro lado, “o PSD foi quem mais subiu no último mês, com mais 4 por cento dos votos do que nos mês anterior, ficando, ainda assim, a 11 pontos de distância do PS”.

A estreia de Manuela Ferreira Leite no grupo dos líderes partidários é-lhe claramente favorável: 29 por cento deram nota positiva à nova líder do PSD e 29,7 responderam «nem boa, nem má». Esta é a realidade. Tudo mais é ficção para consumo interno maquinada pelo PS.

Há coisas que não permitem segundas leituras. O PSD, pela mão de Manuela Ferreira Leite está a capitalizar serenamente os votos dos eleitores, mesmo que, para grande desespero do PS de José Sócrates, não precise de monopolizar os órgãos de comunicação social, nem de grandes revoluções doutrinárias no âmbito da Social Democracia. É que no actual estado da Nação, ao principal partido da oposição basta, de forma sóbria e competente, mostrar aos Portugueses que é possível administrar a “coisa pública” sem lhes atirar para cima das costas todo o peso da quebra de expectativas que o actual governo sofreu, por já não ser possível seguir o rumo que José Sócrates tinha traçado…

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Oposição que todos queríamos


Todos os dias ao abrir o jornal ultrapasso em grande velocidade as noticias internacionais, voo por cima das colunas de opinião e pelo sobe e desce da bolsa de valores e apenas dou uma olhada despiciente pelos aborrecidos suplementos desportivos. Afinal que procuro eu?

Simples, numa palavra apenas: Oposição. Não me interessa a politiquice do tipo “o que é que o fulano disse que melindrou o beltrano”, ou qual a última “gafe” de um qualquer membro do governo, interessa-me saber se Portugal, os seus partidos políticos e o seu povo em geral conseguem produzir oposição ao actual governo Socialista.

Este interesse reforçado pelo aparecimento que tarda de uma oposição digna de nota ao actual executivo tem uma razão de ser. Não fora a evidente instabilidade social aliada à quebra do grosso das promessas eleitorais Socialistas e talvez não me dedicasse, com tanto afinco, à procura de uma alternativa válida para o meu voto.

Acontece que se me é difícil conceber votar num partido que subverte e desvaloriza sistematicamente o sentido das suas promessas eleitorais, que diaboliza ora professores, ora sindicatos, ora juízes, ora médicos e professores, enfim, todos aqueles que se lhe atravessem no caminho. Contudo, lamentavelmente, a um ano das eleições (!), ainda não dei conta, nos jornais diários, na televisão, no parlamento, enfim, em qualquer lado, da existência de uma oposição capaz de captar o meu voto.

Oposição é criticar oportunamente cada passo do governo que conduz a resultados prejudiciais ao país, é demonstrar que os tão propalados “estudos” não são verdades universais, e que outras alternativas são igualmente validas, é ter um governo sombra que dê a conhecer ao país as caras que podem produzir mais trabalho e melhores resultados que os actuais governantes. Enfim, é ter estratégia de oposição. Essa era a Oposição conhecedora dos problemas e estudiosa das suas soluções que todos queríamos ter. Lamentavelmente, até à data, essa é precisamente a Oposição que não temos.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O “Alegre” desespero…



O partido Socialista definitivamente atravessa mais um momento muito complicado. Cerca de 200 mil cidadãos saíram à rua para protestar contra o Código Laboral que, pela discussão parlamentar parece ceder às pretensões neo-liberais de uns “estudos” que recomendam que despedir rápido é bom para atrair o investimento. No Parlamento, o seu governo foi, pela terceira vez, objecto de uma moção de censura. Na televisão ouviu Alegre admitir que pode deixar o PS após as críticas pessoais em tom absolutamente incaracterístico que José Lello dirigiu ao Vice-Presidente do Parlamento e histórico membro do partido Rosa.

Por outro lado, o deputado Jorge Strecht, no parlamento, casa da democracia, acusa os seus colegas deputados do Bloco de Esquerda de se comportarem como “animais” que “uivam” (o mesmo que em 2005 afirmava que deveriam ser tomadas medidas compensatórias para a "dignificação da função de deputado", como o aumento dos salários). Isto na presença de crianças de várias escolas que, das galerias do hemiciclo, escutavam meio embevecidas, meio divertidas o elevado nível da discussão promovida pelos deputados da primeira fila da bancada Socialista.

Podem ser apenas sintomas isolados, mas ao cidadão atento é facilmente apreensível que acabou o tempo daquele governo Socialista que tentou fazer as reformas que entendeu, contra (e não com) os Professores, contra (e não com) os Juízes, contra (e não com) os Funcionários Públicos, contra (e não com) os Sindicatos. Agora, como seria de esperar, parece começar a ser hora de pagar a factura das promessas eleitorais não cumpridas (por exemplo os 150.000 empregos, ou a “carga fiscal” que não seria agravada). Assim, com enorme crescimento das desigualdades sociais, bem assinalado por Mário Soares, e como não há folga para quem governa de forma subserviente a Bruxelas, apenas pensando no equilíbrio das contas, parece ter chegado o momento do “Alegre” desespero.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Os Novos Pobres


Ontem recebi uma carta do meu banco com um cheque de 17.500 Euros para eu gastar como bem entendesse. Em letras mais pequeninas dizia que o respectivo crédito seria pago em suaves prestações mensais de “apenas” 400 Euros. Destino de tal carta: Lixo.
É por este tipo de assédio que a taxa de poupança das famílias fixou-se nos 8,3% em 2006, o nível mais baixo desde 1961, ano em que esta taxa estava nos 6,96%, segundo dados disponibilizados pelo Banco de Portugal (BdP). O ano de 2007 foi o terceiro consecutivo em que houve uma quebra da taxa de poupança das famílias.
No país circulam mais de 17 milhões de cartões de débito e de crédito! (somos cerca de 10 milhões…), e segundo dados do Banco de Portugal, a taxa de endividamento dos particulares era de 40% em 1995 e de 124% em 2006. Até Bruxelas considera "preocupante" o nível de endividamento das famílias resultante dos créditos fácil e cegamente concedidos, que considera ser insustentável em diversos Estados-Membros, apontando o dedo a Portugal, Espanha. Alemanha, Luxemburgo, Holanda e Irlanda. Com tudo isto, os pedidos de ajuda à DECO dispararam 118% em 2007.
Tudo corria bem para a banca e para a economia, isto porque, segundo o modelo neo-liberal defendido por grandes teóricos da economia como M. King e I. Fisher, ao endividamento corresponderia a uma equivalente entrada de activos no património familiar e consequente melhoria do nível de vida.
No entanto, a realidade (como sempre) estragou a perfeita teoria neo-liberal. Assim, a subida das taxas de juro, do preço do petróleo e a concorrência feroz dos Asiáticos, levou milhares de famílias para o desemprego e para a insolvência. A ignorada e ultrapassadíssima taxa máxima de esforço para contrair empréstimos está a fazer as suas vítimas, eles são os novos pobres, vítimas do neo-liberalismo que este governo “socialista” também pratica e defende, e contra quem inevitavelmente se vão virar... “Quem vos avisa vosso amigo é”.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O Maio de 2008




Aproveitando a feliz coincidência de termos entre nós o antigo membro do movimento maoísta Gauche Prolétarienne e activista do Maio de 68, Olivier Rolin (que esteve em Lisboa para lançar o seu último livro, Suíte no Hotel Crystal) e ainda, o facto de este ano perfazem precisamente 40 anos sobre o Maio de 68, julgo ser oportuno pensar um pouco sobre o Maio de 2008.

O Maio de 68 foi espoletado por uma crise social em França. A juventude da época (onde pontificava, entre outros, Rolin) era revolucionária, utópica e radical e pretendia uma sociedade nova. Frases como “O amor ao poder” e a inspiração ideológica de cariz maoísta, levavam os jovens de então a acreditar que o futuro viria da Revolução Cultural chinesa (ainda que com alguma tónica libertária e anarca).

O Maio de 2008 é vivido com esses mesmos jovens de então (agora nos seus 60 anos), digníssimos Empresários, Gestores, Advogados, Engenheiros, etc… a dizer aos filhos (nos trintas, como eu), que não é racional pretender segurança laboral que o neo-liberalismo é a única doutrina económica possível e que as ideologias morreram em função do pragmatismo do “mercado comum”, da “união económica” e da “livre circulação de pessoas e capitais”.

Menos Estado, menos despesa pública, mais insegurança, melhor produtividade, mais despedimentos e fim da ideia de “carreira profissional”… Tão longe chegou esta geração de 68, profissionalmente muito bem sucedida aliás, como se pode apreciar pelos lugares que ocupam alguns dos mais conhecidos maoístas de então.

A nós, filhos dos jovens de 68, agora que estamos em 2008, resta respeitar os nossos pais, mas que pais devemos nós respeitar? Os pais de 68, jovens, irreverentes, revolucionários, que lutaram por aquilo em que acreditavam e saíram para a rua “contra tudo e contra todos”, ou pelo contrário, devemos respeitar os pais de hoje, amorfos e de braços caídos, argumentando a favor do “situacionismo neo-liberal” e da “inevitabilidade associada ao presente estado de coisas”. Na realidade, por mais que reflicta, não sei como gerir este cocktail quase esquizofrénico…

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Manuela Ferreira Leite - O regresso da guerreira


Quando muitos pensavam que já se tinha dito e escrito tudo sobre Manuela Ferreira Leite (MFL), de ministra das Finanças e sempre uma possível ministeriável, de presidente da mesa em diversos congressos, a cacique e notável do partido, eis que se prevê que ela regresse agora como candidata à liderança do PSD, concorrendo com outros companheiros como Pedro Passos Coelho e Patinha Antão.


O que representa hoje em dia MFL para o PSD? Em primeiro lugar, MFL na liderança do partido dá uma nova imagem ao país. Uma imagem de grande eficiência e grande capacidade de que o PSD e o país está absolutamente carenciado. Isto porque, as diversas diatribes internas do maior partido da oposição, fragilizaram a sua imagem junto do eleitorado e criaram a justa convicção dentro do governo de que não há uma verdadeira oposição. Tal convicção é bem notória na sua postura do Primeiro-Ministro quando se dirige à bancada parlamentar do PSD.


Por outro lado, MFL é ainda uma referência de unidade no partido e uma líder federadora. Se não vejamos, desde Rui Rio, António Borges, Grupo de Eurodeputados do PSD, entre outros, já demonstraram o seu apoio expresso, o que é significativo, dada a credibilidade e o peso político de tais apoiantes. Nessa medida, MFL pode representar para o PSD aquilo que Sócrates representou para o PS (antes de o aniquilar com o seu centralismo), ou seja, pode ser uma líder forte e com personalidade austera que agrade ao eleitorado pela seriedade com que tem encarado os cargos por onde tem passado, e com uma vantagem sobre Sócrates, a de ser e ter sido, desde sempre, coerente com os seus ideais e nunca ter enganado o eleitorado. MFL é o que está à vista, quanto a Sócrates já sabemos que não é o que parece, e isso pode fazer toda a diferença.