
O facto de, pela segunda vez no espaço de oito meses, estarem cerca de 120 mil professores na rua, motiva uma reflexão sobre as alternativas ao actual governo socialista.
Não se trata de repisar os argumentos a propósito da avaliação dos professores, nem chamar à colação as incumpridas promessas eleitorais do governo, como a suposta criação dos empregos (real, supunha-se, e não apenas ponderada os que entretanto desapareceram), ou como a suposta convergência com a média do crescimento europeu, que nunca existiu, na verdade, nem estamos a crescer. Nessa medida, o que se pretende é olhar para a líder do maior partido da oposição e tentar ver o que a Dra. Manuela Ferreira Leite (MFL) tem para oferecer de diferente, por forma a perceber se é possível dizer que existe uma opção válida.
Vejamos então: MFL defende o apoio às pequenas e médias empresas, dado que, segundo os números que apresenta é aí que se defende o emprego. Assim, para MFL seria imperioso, neste momento, o Estado “acertar contas” com as PME’s a nível fiscal e, presume-se a nível do pagamento das encomendas e compras ainda por pagar (cerca de 2 mil milhões de euros), sendo que, tal medida, juntamente com a redução de 1% na taxa social única, o alargamento do período de atribuição de subsidio de desemprego, e finalmente, na revitalização dos certificados de aforro, significaria um aumento do deficit de 2,2% para 2,6% (ainda dentro da margem dos até 3% que a UE estabeleceu para 2009).
Por outro lado, MFL defende uma revisão de certos dogmas do actual governo socialista, tais como, o novo Aeroporto e o TGV, tendo explicado que não se trata de parar o investimento público, mas de adequa-lo em função da actual crise financeira e ponderá-lo na medida do rácio custo beneficio evitando endividar as gerações futuras com obras de impacto social limitado (como auto-estradas em zonas já servidas por boas vias de comunicação ou como a falta de rentabilidade da maioria das linhas do TGV, por contraposição com os preços das ligações aéreas). Ainda uma palavra para o estilo de governação, isto porque MFL tem evoluído as suas posições para uma clara clivagem com o actual governo de José Sócrates, em relação aos métodos de governação.
Assim, MFL critica a forma como se processou o aumento do salário mínimo, sem que, em face do agravamento da situação económica internacional o plano de aumentos até 2011 (500 euros), fosse objecto de nova apreciação na concertação social. Finalmente, MFL compreendeu os argumentos dos professores e afirmou que, em face do descontentamento da larga maioria dos profissionais da educação, seria melhor ponderar o método de avaliação e aperfeiçoa-lo a quem o aplica, por forma, a torna-lo exequível.
Em face destes e outros argumentos, julgo que, MFL pode até não ter o ar moderno do primeiro-ministro, pode não correr “meia dúzia de km’s” pelas ruas das capitais que visita, ou até, não ter perfil para vender computadores Magalhães numa qualquer reunião Latino-Americana, no entanto, uma alternativa válida e democrática começa a desenhar-se, a bem da Nação.
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