sábado, 24 de janeiro de 2009

Portugal nas mãos de Espanha?

Tema recorrente na opinião publica Nacional, a relação (ou se calhar a ralação) com Espanha é daqueles assuntos que angustia uns e entusiasma outros. Trata-se, tal como o assunto “Salazar”, algo que divide os meus compatriotas entre os partidarios da Espanha-fobia e os partidários da Espanha-filia.

Os primeiros tendem a temer tudo o que vem do lado de lá da fronteira, dizem aos amigos que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”, abusaram das nossas queridas caravelas para uma aventura desastrosa frentes ao Ingleses chamada de “Armada Invencível”, aquela coisa da guerra civil foi uma carnificina de gente barbara, Franco era demasiado amigo dos Nazis para o nosso gosto, e para eles o melhor momento da nossa relação com Espanha era quando se iam comprar caramelos a Badajoz a metade do preço.

Já para os segundos, Espanha é um país grandioso, cerca de 5 vezes maior que Portugal, economia feroz com muitas oportunidades em empresas fortes, como Repsol, Seat, Zara, Corte Inglês, Sacir, Santander, La Caixa, enfim… o ordenado mínimo por lá é cerca do dobro do nosso, competem com a França e a Inglaterra no índice de desenvolvimento económico enquanto nós somos humilhados pela generalidade dos países do leste europeu. Por outro lado, os Espanha-filiacos ainda argumentam com os reinados de Filipe I e II (séc. XVI/XVII), para fundamentarem a ideia de que os Espanhóis nem se saíram assim tão mal em terras lusas.

Tudo isto cruza a minha cabeça à velocidade aproximada de um TGV, motivado pelo facto de esta semana Sócrates se ter ido encontrar com Zapatero em Zamora, para mais uma cimeira Luso-Espanhola. Foi nessa localidade Espanhola que a 5 de Outubro de 1143 (4 anos após a vitória lusa na batalha de Ourique) os Reis Afonso Henriques e Afonso III de Leão e Castela assinaram a paz, tendo o monarca do que é hoje a Espanha reconhecido ao condado Portucalense a sua condição de Reino.

Ora, e o que temos hoje em dia? Sócrates foi a Zamora acertar detalhes sobre um centro de investigação comum a instalar em Badajoz, sobre o TGV e o traçado a ligar os dois países, sobre a constituição do OMI – Operador do mercado Ibérico, para a área da energia, o intercâmbio na área da saúde (para bebés portugueses nascerem em Espanha), entre outros acordos e protocolos a assinar com Zapatero.

Tudo muito bem, de facto não queremos congelar a nossa relação com o nosso maior parceiro comercial (30% das nossas exportações são para lá). Contudo, atenção, o gigante vizinho não olha para nós da mesma maneira. Na verdade, toma paulatinamente posição dominante em empresas nacionais, oferecendo o tacho de um outro lugar de administração aos políticos que facilitam as tomadas de posição (não vale a pena dizer nomes pois não?), numa se quis vincular a um acordo com Portugal no domínio do uso dos rios internacionais, para além da central nuclear que colocou às nossas costas, ainda se prepara para construir uma mega refinaria em Balboa a 60 kms de Portugal, e um super aeroporto em Badajoz para servir, entre outras coisas, de plataforma para os futuros investimentos turísticos na zona do Alqueva (que nós pagamos e construímos para eles).
Tudo isto enquanto, até ao momento presente, não há memória ou conhecimento de que uma empresa Portuguesa tenha alguma vez ganho um concurso público em Espanha… Se eu fosse Espanhol com um projecto para tornar toda a península numa só Ibéria, certamente não estaria descontente com o actual estado de coisas… Para mais sabendo que, se em Portugal existissem Políticos à prova de bala, provavelmente este país à muito que já teria ido á procura de diversificar as suas relações comerciais com outros parceiros menos suspeitos… Para mais sabendo que, ultimamente, Angola (aquisições de participações na banca, jornais, e algumas empresas) mas também o Brasil (Embraer) têm olhado para nós com renovado interesse.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Derrotar o “Grande Coveiro”


O governo de Sócrates mentiu sobre a responsabilidade da crise mundial no agravamento das condições de vida dos mais pobres. Se assim é, como podem durante, o quadriénio 2005/2009 as desigualdades terem aumentado tanto? Sim, a diferença entre os rendimentos dos mais ricos e os rendimentos dos mais pobres aumentou em 0,3%, entretanto Sócrates, num dos seus rasgos de quem se está nas tintas para o parceiro do lado, acabou com a convergência das reformas e teve coragem para tributar algumas delas em sede de IRS…

O governo de Sócrates mentiu sobre a forma de apoiar a economia, centrando os apoios apenas no sector financeiro, transformando a Caixa Geral de Depósitos numa espécie de IPE, que centraliza todo o investimento na economia, quando a generalidade dos países europeus já apostava igualmente na baixa generalizada de impostos, certos de que, sem dinheiro na rua, de nada servirá enterrar fundos exclusivamente no sector financeiro, porque haverá certamente uma deflação da economia.

O governo de Sócrates mentiu ao chamar orçamento suplementar ao orçamento rectificativo. Certo, é uma pequena mentira, uma mentirinha, no meio de outras tantas graves, mas demonstra a falta de coragem de Sócrates para enfrentar uma verdade… O governo errou na medida grande, e errou em pleno curso da crise mundial, pois no fim de 2008, toda a gente já sabia o que aí vinha…. Só Sócrates e o seu governo é que pensavam que o OE 2009 podia mascarar a gravidade das contas públicas… Aliás, suspeito que tal engodo seria muito útil para suportar certos investimentos públicos megalómanos (dada a actual situação), como o TGV, que aliás, é objecto de uma verdadeira campanha de promoção nos órgãos de comunicação social, escondendo que para além dos apoios da UE, Portugal tem de enterrar 8 mil preciosos milhões na obra.

O governo de Sócrates mente ao dizer que apoia as pequenas e médias empresas com uma linha de crédito que apenas vai ajudar aquelas empresas que têm liquidez (as únicas que podem aceder ao crédito), quando o verdadeiro apoio seria suspender os pagamentos por conta e o pagamento do IVA apenas na data do pagamento efectivo do dinheiro ás empresas prestadoras dos serviços, visto que são essas verbas que estrangulam as empresas.

O governo de Sócrates mente quando a coberto de uma “reforma” sustentada na ideia neo-liberal, promovida por um governo “socialista”, atacou todo o sector público, desprestigiando professores, juízes, policias e funcionários públicos em geral, na medida em que, movido por uma profunda convicção de que teria apoio popular para diabolizar estas classes profissionais, fantasiou um pretenso progresso social à custa dos cortes, mobilidades, e avaliações polémicas e irracionais, quando na verdade, destabiliza o ensino, desorganiza o sistema de saúde, desmoraliza as forças de segurança, em suma enfraquece o Estado.

O governo de Sócrates mente quando diz que vai criar 150.000 empregos, quando todas as contas que apresentou ou vai apresentar são falsas ou fruto de uma tortura de números. A verdade é que, para lá dos engodos e das falácias, o desemprego aumentou e muito, e o orçamento para 2009 (na sua versão rectificativa/suplementar) fala em números de dois dígitos para o desemprego.

Tudo somado, a grande pergunta a fazer é… E se fosse um governo do PSD a apresentar este relambório de mentiras? E se este governo “socialista” tivesse de lidar com um Governador do Banco de Portugal que estranhamente presta melhores serviços políticos e piores acções como regulador da banca, o que seria a sua principal função?

A Manuela Ferreira Leite cumpre dar uma resposta afirmativa à denúncia destas mentiras e à apresentação do consequente caminho alternativo para criar a necessária confiança no eleitorado. Falar verdade ao eleitorado é essencial, mais ainda agora, dado que estamos na presença de um Primeiro-Ministro fraco e incapaz de enfrentar os seus erros. Contudo pede-se mais, pede-se coragem e determinação, pede-se fundamentalmente à líder do PSD que nos faça acreditar que é possível derrotar Sócrates já em 2009, para que, finalmente, o “Coveiro de Portugal” seja remetido à procedência.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Desemprego e os Cursos Técnicos




O INE publicou os dados do desemprego relativos a 2008, mais de 90 mil jovens estavam desempregados à procura do primeiro emprego. Nesses números não entram os que se encontram em estágios profissionais, muitos deles sem receber qualquer remuneração digna desse nome.

Foram dezenas de anos a apostar na formação superior, forçando números, torcendo estatísticas, falando de meias verdades. O resultado está à vista. Entalados entre a conversa de vários governos, de vários Ministros, e o sonho de uma vida melhor e de um reconhecimento social, milhares e milhares de jovens atiraram-se para cursos superiores sem qualquer saída profissional, fizeram as provas de acesso, pagaram as propinas, estudaram 5 ou mais anos e chegaram ao fim de todo esse processo e… Ficaram no desemprego.

Serviram para quê? Serviram para ser tratados como “carne para canhão” neste Portugal de gente cruel e imprudente, serviram para os Governos se auto promoverem com o sucesso da democratização do ensino superior, foram a versão em “carne e osso” dos milhares de Km’s de auto-estradas que foram implantadas em Portugal desde 90.

E como as estatísticas são cegas ou dizem o que se quiser mostrar, a Europa aplaudiu Portugal, pensando que à base de auto-estradas e de “paletes” de licenciados, esta faixa do território europeu estaria a convergir com qualquer coisa parecida com um “modelo de desenvolvimento sustentado” e sustentável. Não podiam estar mais longe da verdade. É que este é o país mais manhoso da Europa. Aqui a verdade só é dita pela metade. Sempre.

E a verdade é que, nunca foram criadas saídas profissionais para os jovens que se atiraram para a fogueira do ensino superior. O governo nunca conseguiu, ou sobe, como apoiar os verdadeiros criadores de postos de trabalho, as “pequenas e médias empresas” (PME’s). Nunca soube, por exemplo, equilibrar a sua voragem tributária com a necessidade de incentivar quem recorre à mão-de-obra jovem, criando emprego, oferecendo um futuro a quem começa.

É neste “beco sem saída” que renascem os cursos técnicos, compostos por um conjunto de duas ou três disciplinas de carácter “técnico-prático”, que integram aprendizagens específicas centradas na área de formação escolhida com vista ao exercício de uma actividade profissional. Sendo que, em apenas três anos, atingiram o limite das vagas disponíveis, 30 mil alunos. Esta opção profissionalizante, em áreas diversas como “informática; Electrónica; ou Química, podem oferecer aos jovens um rápido acesso ao mundo da mão-de-obra que alimenta a indústria que ainda existe e os serviços.

Porque todos os pesadelos têm um fim, porque a aposta de um jovem no seu amanha é determinante, e ainda porque, a persistirem as dificuldades actuais em ter emprego, constituir família, ter filhos, o Portugal de amanha será um fracasso, obviamente que fomento do “ensino técnico” nunca devia ter deixado de ser uma prioridade. Pena que os governantes poucas vezes vejam para além da ponta do nariz…