segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Desemprego e os Cursos Técnicos




O INE publicou os dados do desemprego relativos a 2008, mais de 90 mil jovens estavam desempregados à procura do primeiro emprego. Nesses números não entram os que se encontram em estágios profissionais, muitos deles sem receber qualquer remuneração digna desse nome.

Foram dezenas de anos a apostar na formação superior, forçando números, torcendo estatísticas, falando de meias verdades. O resultado está à vista. Entalados entre a conversa de vários governos, de vários Ministros, e o sonho de uma vida melhor e de um reconhecimento social, milhares e milhares de jovens atiraram-se para cursos superiores sem qualquer saída profissional, fizeram as provas de acesso, pagaram as propinas, estudaram 5 ou mais anos e chegaram ao fim de todo esse processo e… Ficaram no desemprego.

Serviram para quê? Serviram para ser tratados como “carne para canhão” neste Portugal de gente cruel e imprudente, serviram para os Governos se auto promoverem com o sucesso da democratização do ensino superior, foram a versão em “carne e osso” dos milhares de Km’s de auto-estradas que foram implantadas em Portugal desde 90.

E como as estatísticas são cegas ou dizem o que se quiser mostrar, a Europa aplaudiu Portugal, pensando que à base de auto-estradas e de “paletes” de licenciados, esta faixa do território europeu estaria a convergir com qualquer coisa parecida com um “modelo de desenvolvimento sustentado” e sustentável. Não podiam estar mais longe da verdade. É que este é o país mais manhoso da Europa. Aqui a verdade só é dita pela metade. Sempre.

E a verdade é que, nunca foram criadas saídas profissionais para os jovens que se atiraram para a fogueira do ensino superior. O governo nunca conseguiu, ou sobe, como apoiar os verdadeiros criadores de postos de trabalho, as “pequenas e médias empresas” (PME’s). Nunca soube, por exemplo, equilibrar a sua voragem tributária com a necessidade de incentivar quem recorre à mão-de-obra jovem, criando emprego, oferecendo um futuro a quem começa.

É neste “beco sem saída” que renascem os cursos técnicos, compostos por um conjunto de duas ou três disciplinas de carácter “técnico-prático”, que integram aprendizagens específicas centradas na área de formação escolhida com vista ao exercício de uma actividade profissional. Sendo que, em apenas três anos, atingiram o limite das vagas disponíveis, 30 mil alunos. Esta opção profissionalizante, em áreas diversas como “informática; Electrónica; ou Química, podem oferecer aos jovens um rápido acesso ao mundo da mão-de-obra que alimenta a indústria que ainda existe e os serviços.

Porque todos os pesadelos têm um fim, porque a aposta de um jovem no seu amanha é determinante, e ainda porque, a persistirem as dificuldades actuais em ter emprego, constituir família, ter filhos, o Portugal de amanha será um fracasso, obviamente que fomento do “ensino técnico” nunca devia ter deixado de ser uma prioridade. Pena que os governantes poucas vezes vejam para além da ponta do nariz…

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