
Os partidos do “arco do poder” (expressão actualmente em voga na gíria política), quando se encontram em fases de travessia no deserto, como é actualmente o caso do PSD, sofrem como que um ocaso de disponibilidades para as candidaturas mais relevantes, como por exemplo à Câmara de Lisboa. É o medo, até certo ponto natural, que certos “notáveis” têm de se “queimarem” em ambientes adversos.
Isto sucede, de forma alternada, quer a PS, quer a PSD. Contudo o PSD, neste momento conturbado da sua vida interna, após as lideranças de Marques Mendes e de Menezes, está ainda à procura da sua estabilidade em torno da líder Manuela Ferreira Leite. É portanto neste enquadramento que surgem as eleições a Lisboa.
Dispensando o leitor de outras considerações de estratégia partidária, como o facto de o quadro eleitoral ser o que é para 2009, com as autárquicas e as legislativas em datas muito próximas e o efeito de contágio que as votações da primeira podem ter na segunda, o facto é que a líder do PSD, tinha em Lisboa um desafio grande para ganhar.
É que a Câmara da capital, representa um trunfo eleitoral histórico importante, recorde-se que a última vitoria eleitoral do PSD, ao derrotar de forma um tanto inesperada o PS de João Soares, serviu de pronuncio para a governação laranja que se seguiu. Ora, faz sentido, já por este argumento, ir buscar o obreiro de tal vitória que serviu de gazua eleitoral.
Por outro lado, a gestão de António Costa à frente da CML, tem-se pautado por um estranho imobilismo, dando a ideia de que haveria algum receio de que os múltiplos projectos e iniciativas que a autarquia tivesse entretanto dinamizado pudessem, em última análise, prejudicar a reeleição do candidato do PS. A verdade é que, entretanto a Câmara se afundou num marasmo de imobilismo, exclusivamente centrado nas contas da edilidade, que sendo um objectivo de salutar, só por si, não permitiu dar um passo na solução de diversas questões pendentes da cidade desde Alcântara, Praça do Comércio, Parque Mayer, Feira Popular, ou ainda a Reabilitação Urbana em força do enorme parque imobiliário degradado (muito dele da própria CML).
É neste enquadramento que Pedro Santana Lopes se apresenta como candidato, tendo obra feita, com vários programas de reabilitação urbana lançados, desde Alfama até à Mouraria. Com as únicas decisões palpáveis para desbloquear a situação arrastada do Parque Mayer, com o lançamento das bases para aquilo que hoje é uma das maiores fontes de rendimento da CML, o casino. Com o fecho do Bairro Alto ao trânsito automóvel. Com o lançamento da construção da biblioteca e arquivo central da câmara, permitindo concentrar valioso espolio municipal disperso por vários edifícios em más condições de conservação. Com o lançamento e execução do programa “uma piscina em cada bairro”. E, finalmente, com a construção do Túnel do Marquês, obra cuja utilidade e qualidade hoje ninguém discute. E, já agora, pergunta-se, de que lado está agora Sá Fernandes, o grande opositor do túnel, com todos os prejuízos que causou?
Saiba Pedro Santana Lopes apresentar uma sólida candidatura, rodeando-se de novas pessoas, capazes de o assessorar com qualidade, e manter um programa realista para cumprir até ao termo do mandato e, eventualmente, terá uma (quem sabe derradeira) oportunidade para terminar a obra que começou em Lisboa, e ao mesmo tempo servir de alavanca para Manuela Ferreira Leite apresentar os bons resultados de que o partido tanto precisa.
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