quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Novo Código do Trabalho… O sinal dos tempos


O novo Código do Trabalho, esse monumento ao “reformismo socialista” do país laboral, promovido pelo governo de José Sócrates, está em discussão pelos trabalhadores de algumas grandes empresas estabelecidas em território Português (como é o caso da Autoeuropa). Tal iniciativa é promovida pela CGTP de Carvalho da Silva e merece nota muito positiva.

Em primeiro lugar porque a ideia de discutir em plenário com os visados por um qualquer dispositivo legal é tão salutar como o é o facto de vivermos em democracia e apesar de infelizmente uma maioria ter sido enganada por partido socialista “camaleão” que não tem qualquer cultura democrática, mesmo sem concertação social (não se pode pedir a José Sócrates que compreenda o valor de uma coisa que o primeiro ministro não compreende o que é), a verdade é que o Código de Trabalho “socialista” tem de ser conhecido de debatido pelas pessoas e nem se diga que a discussão parlamentar é suficiente, porque em democracia, nem tudo se limita à discussão parlamentar, e mais ainda quando se trata de uma matéria tão sensível como as Leis Laborais.

Em segundo lugar, porque a outra estrutura sindical, a UGT, desse tal João Proença, se demitiu pura e simplesmente de discutir o diploma com as pessoas. Não há sessões de esclarecimento, não debates ou assembleias promovidas por essa estrutura sindical. Pelo menos que se conheçam, e isso é mesmo muito mau. A UGT não pode, não deve, anular-se devido ao seu compromisso com o partido socialista do José Sócrates. Isso nunca aconteceu antes, e a acontecer agora, como está a acontecer, significa uma agressão ao sindicalismo sem precedentes. É lamentável e demonstra que este governo é não só inculto politicamente, como também perigosamente insensível em relação às “válvulas de escape” do sistema político e social…

Finalmente, numa época em que falham todas as outras estruturas de apoio e debate social (excepto, talvez, as de caridade social), nomeadamente a quando a Igreja, cometendo um erro crasso e verdadeiramente auto-destrutivo, se afasta do seu papel tradicional de guardiã de uma moral social que a levou a assumir, no passado, bastas vezes, e em voz alta, a defesa dos mais fracos e desfavorecidos, é na CGTP que se congregam as poucas esperanças de haver debate público, verdadeiramente alargado, sobre o Código do Trabalho. É que embora se saiba que o PS do José Sócrates não tem cultura politica para entender isto, no entanto julgo que já todos vimos no que dá acreditar piamente nos dogmas neo-liberais… E para bom entendedor…

Sem comentários: