sexta-feira, 6 de junho de 2008

O “Alegre” desespero…



O partido Socialista definitivamente atravessa mais um momento muito complicado. Cerca de 200 mil cidadãos saíram à rua para protestar contra o Código Laboral que, pela discussão parlamentar parece ceder às pretensões neo-liberais de uns “estudos” que recomendam que despedir rápido é bom para atrair o investimento. No Parlamento, o seu governo foi, pela terceira vez, objecto de uma moção de censura. Na televisão ouviu Alegre admitir que pode deixar o PS após as críticas pessoais em tom absolutamente incaracterístico que José Lello dirigiu ao Vice-Presidente do Parlamento e histórico membro do partido Rosa.

Por outro lado, o deputado Jorge Strecht, no parlamento, casa da democracia, acusa os seus colegas deputados do Bloco de Esquerda de se comportarem como “animais” que “uivam” (o mesmo que em 2005 afirmava que deveriam ser tomadas medidas compensatórias para a "dignificação da função de deputado", como o aumento dos salários). Isto na presença de crianças de várias escolas que, das galerias do hemiciclo, escutavam meio embevecidas, meio divertidas o elevado nível da discussão promovida pelos deputados da primeira fila da bancada Socialista.

Podem ser apenas sintomas isolados, mas ao cidadão atento é facilmente apreensível que acabou o tempo daquele governo Socialista que tentou fazer as reformas que entendeu, contra (e não com) os Professores, contra (e não com) os Juízes, contra (e não com) os Funcionários Públicos, contra (e não com) os Sindicatos. Agora, como seria de esperar, parece começar a ser hora de pagar a factura das promessas eleitorais não cumpridas (por exemplo os 150.000 empregos, ou a “carga fiscal” que não seria agravada). Assim, com enorme crescimento das desigualdades sociais, bem assinalado por Mário Soares, e como não há folga para quem governa de forma subserviente a Bruxelas, apenas pensando no equilíbrio das contas, parece ter chegado o momento do “Alegre” desespero.

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