
Todos os dias ao abrir o jornal ultrapasso em grande velocidade as noticias internacionais, voo por cima das colunas de opinião e pelo sobe e desce da bolsa de valores e apenas dou uma olhada despiciente pelos aborrecidos suplementos desportivos. Afinal que procuro eu?
Simples, numa palavra apenas: Oposição. Não me interessa a politiquice do tipo “o que é que o fulano disse que melindrou o beltrano”, ou qual a última “gafe” de um qualquer membro do governo, interessa-me saber se Portugal, os seus partidos políticos e o seu povo em geral conseguem produzir oposição ao actual governo Socialista.
Este interesse reforçado pelo aparecimento que tarda de uma oposição digna de nota ao actual executivo tem uma razão de ser. Não fora a evidente instabilidade social aliada à quebra do grosso das promessas eleitorais Socialistas e talvez não me dedicasse, com tanto afinco, à procura de uma alternativa válida para o meu voto.
Acontece que se me é difícil conceber votar num partido que subverte e desvaloriza sistematicamente o sentido das suas promessas eleitorais, que diaboliza ora professores, ora sindicatos, ora juízes, ora médicos e professores, enfim, todos aqueles que se lhe atravessem no caminho. Contudo, lamentavelmente, a um ano das eleições (!), ainda não dei conta, nos jornais diários, na televisão, no parlamento, enfim, em qualquer lado, da existência de uma oposição capaz de captar o meu voto.
Oposição é criticar oportunamente cada passo do governo que conduz a resultados prejudiciais ao país, é demonstrar que os tão propalados “estudos” não são verdades universais, e que outras alternativas são igualmente validas, é ter um governo sombra que dê a conhecer ao país as caras que podem produzir mais trabalho e melhores resultados que os actuais governantes. Enfim, é ter estratégia de oposição. Essa era a Oposição conhecedora dos problemas e estudiosa das suas soluções que todos queríamos ter. Lamentavelmente, até à data, essa é precisamente a Oposição que não temos.
Sem comentários:
Enviar um comentário