quinta-feira, 23 de julho de 2009

Caro Senhor Primeiro Ministro


Aceita dar um passeio comigo? Aceita passear como se fossemos duas pessoas normais? Aceita passear como se não se achasse mais que eu?

Gostaria de lhe fazer umas perguntas, se pudéssemos falar com honestidade. Como pode achar que ainda está para nascer o primeiro ministro que faça melhor que o Senhor, quando há cada vez mais desempregados nos centros de (des)emprego. Gostaria de lhe perguntar como é possível esconder do seu povo a verdade sobre tanta coisa. Como dorme à noite quando há tantos pobres nas ruas e tanta gente a perder o emprego?

O que sente quando está a olhar para o espelho? Será que se sente orgulhoso de si, enquanto os restantes de nós choram? Como conseguem andar de cabeça erguida, quando o ensino está cada vez pior, os tribunais deixam de funcionar e a policia deixa os uniformes no chão em frente à Assembleia da República? Consegue ao menos olhar-me olhos nos olhos e dizer-me que se sente bem?

Caro Senhor Primeiro Ministro, foi um menino solitário? Será que é um Primeiro Ministro solitário? É que os seus cartazes dão essa ideia de estar sozinho no meio da multidão. Sabe uma coisa, penso que já deve saber que não somos burros nem cegos, e sabemos o que é viver com o ordenado mínimo e sem contrato de trabalho, ao abrigo do seu novo código do trabalho, que monumento ao trabalhador ele é! Sabemos o que é perder o emprego e o banco ficar-nos com a casa. Sabemos o que é ser velho e não ter condições de sobrevivência porque o dinheiro da reforma não chega.

Senhor Primeiro Ministro, como consegue dizer que ainda não nasceu quem faça melhor que o Senhor e depois dormir à noite? Como consegue andar de cabeça erguida na rua?

Caro Senhor Primeiro Ministro, o Senhor nunca iria dar um passeio comigo… Pois não?

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