Confesso! Sou um tipo distraído... Não consegui identificar o certamente interessante ponto de vista que Manuel Pinho pretendia defender no Parlamento com o frondoso e pictórico par de chifres que o membro do governo socialista montou em si próprio. Mas uma coisa posso dizer, a opinião unânime na sala onde eu me encontrava foi de que os “chifres” lhe assentam muito bem, Manuel Pinho, de facto, faz bem o papel taurino em qualquer uma festa brava deste país. E há tantas por aí nesta altura… Será um erro de "casting"? É que, ou me engano muito, ou temos ali um putativo Ministro da Agricultura!Posso no entanto tentar adivinhar o tema em discussão no parlamento que terá levado à enfática resposta de Manuel Pinho… Seria o Magalhães? Ou seria o Portal dos Contratos Públicos… Ambos adjudicados sem concurso público ao arrepio das normas vigentes para as contratações públicas? Seria ainda a derrota nas eleições europeias? Ou seria a marosca da compra da TVI pela PT, destapada por Manuela Ferreira Leite, e que motivou uma vergonha pública para José Sócrates, e uma resposta tão inflamada como comprometida do Sr. Administrador Granadeiro? Mas pode ainda ser o evidente fracasso daquele conveniente “manifesto” sobre a oportunidade das grandes obras socialistas (assinado apenas por ex. dirigentes de empresas públicas e administradores de empresas de obras públicas e figuras de 2ª linha do próprio partido socialista)…
Resumindo, tudo pode estar a correr mal ao PS neste momento, contudo, nada poderá justificar o gesto, efectuado na Catedral da Democracia Portuguesa, perante os deputados da Nação, eleitos pelo Povo. A demissão seria portanto mais que justificada. Claramente. Mas será justo dizer que o acto é fruto de um qualquer desvario? Sinceramente não me parece. Manuel Pinho é o mesmo que despudoradamente já havia dito na Índia que Portugal era um bom país para investir porque o governo tinha como política os salários baixos, mais recentemente, havia ilustrado aquilo que entende ser a política de obras públicas de Manuela Ferreira Leite, rasgando de forma efusiva um papel com todas as obras a lançar com fundos europeus.
Enfim… Penso o que Manuel Pinho fez equivale ao que sempre havia feito até aqui, sempre com o apoio do PS e de José Sócrates, pois este governo é democraticamente inculto e um autêntico deserto de ideias (e este é real, ao invés do inventado na margem sul). Em resumo…. Está mais que na hora de o eleitorado responder ao gesto de Manuel Pinho, como em Democracia se deve fazer… Com a força dos votos!
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