
Geralmente, uma qualquer oscilação (por mais pequena que seja) na economia mundial tem o condão de por a nu, as fragilidades (muitas) da economia nacional. É assim com as sucessivas crises do petróleo e as suas consequências no aumento do preço da gasolina. É assim com a política de estabilidade orçamental europeia que impõe um certo e determinado valor para o deficit nacional e, consequentemente, um nível de impostos desajustado com o paupérrimo nível salarial do país.
Como se estes problemas “estruturais” não bastassem ainda temos outro drama Nacional, mais grave, mais profundo, dado que tem razões culturais ainda mais fundas na mentalidade de políticos e povo eleitor, razões mais enraizadas na nossa maneira de ser que os meros problemas económicos “estruturais”.
Como prova concreta dessa mentalidade e cultura de subdesenvolvimento, podemos começar desde logo por citar o problema da habitação. Em que consiste o problema da habitação? Vamos então por partes, em primeiro lugar habitação é o espaço físico onde um ente singular ou plural (família), organiza o centro da sua vida pessoal (em regra só esta, dado que, geralmente, o domicilio profissional será outro). Em segundo lugar, o problema associado a esta questão é que toda a gente pode prescindir de carro, ou se for premiado com o euro milhões, pode até prescindir de uma ocupação profissional, mas o domicílio é indispensável para todos. Para se casar, ou para ser ter família, ou para se ter alguém, ou até apenas para ser independente é preciso ter domicilio.
Surge o negócio da compra de casa, a outra hipótese era arrendar, mas era, porque não é, infelizmente, alguém(s), conseguiram fracassar a hipótese de ter um verdadeiro mercado de arrendamento em Portugal, fazendo da Lei n.º 6/2006 de 27 de Fevereiro Aprova o Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU), uma oportunidade perdida. Intencional? Mera incompetência legislativa? Não sei, nem acredito (se calhar ingenuamente) que os autores do diploma pretendessem que a mesma fosse inexequível. No entanto é. No Diário de Noticias de 10 de Setembro de 2007, o Presidente da Associação Lisbonense de Proprietários denuncia a inoperância do NRAU.
Em consequência disto, assistimos, por um lado, à continuação da degradação do parque imobiliário, como se pode observar pela miséria desertificada que são os centros históricos (e não só) das grandes cidades Portuguesas. E por outro lado, resultado ainda mais grave deste fracasso absoluto que é o RNAU, é o recurso continuado ao crédito que as jovens famílias se vêm obrigadas a fazer (excepto as que têm pais ricos, como apregoava um anuncio do Totta, de tal forma está a banca ciente da realidade). Tal recurso ao crédito seria útil, se o preço do dinheiro fosse baixo, se o mercado oferecesse boa retoma pelos imóveis. Se o nível de vencimentos não houvesse estagnado ou piorado de há sete anos para cá.
Como resultado desta conjugação factores, temos que as jovens famílias portuguesas se encontram agora num aperto sem precedentes na história recente do país. Por um lado não têm alternativa no mercado pois o arrendamento é caro pois o NRAU falhou na criação de condições para uma maior oferta de casas vagas. Por outro lado, os juros não param de aumentar, conjuntamente com a nova carga fiscal “socrática” que impende sobre os impostos das pessoas singulares e algumas colectivas (algumas, pois banca e finança passam alegremente ao lado, mantendo lucros do outro mundo), ficamos então em que posição? Que dinheiro tem uma jovem família para pagar estudos de filhos, para se educar comprando livros na livraria Barata, ou indo ao CCB assistir a um espectáculo, ou até ir a Santiago de Compostela mostrar ao filhotes um pouco da cultura Ibérico-Cristã?
A resposta é simples, não fica nada, zero. Os bancos levaram tudo, ao fim do mês não resta nada. Portugal será sempre um país de segunda enquanto os seus governantes de forma descomprometida com a banca, não criarem um forte mercado de arrendamento que crie alternativas ao jugo da banca. Mas não, atiram-se os jovens para as mãos da banca logo na universidade com os empréstimos para o curso (o que em outro país até seria uma boa medida, mas estamos em Portugal com os nossos condicionalismos), e o nosso governo congratula-se porque se livra de um problema e dá mais clientes à banca. Isto será assim até chegarmos ao “tutano” da grande “massa popular”. Depois disso logo se verá o que acontece, e até lá a banca (que é quem manda no país) ainda vai a tempo de se moderar e evitar aparecer como a grande culpada do que se possa passar a seguir… E para começar o por as coisas “nos eixos”, seria muito melhor para todos que se mudasse a lei das rendas (Ps. Para que conste não sou proprietário de nenhum prédio para arrendar).
Como se estes problemas “estruturais” não bastassem ainda temos outro drama Nacional, mais grave, mais profundo, dado que tem razões culturais ainda mais fundas na mentalidade de políticos e povo eleitor, razões mais enraizadas na nossa maneira de ser que os meros problemas económicos “estruturais”.
Como prova concreta dessa mentalidade e cultura de subdesenvolvimento, podemos começar desde logo por citar o problema da habitação. Em que consiste o problema da habitação? Vamos então por partes, em primeiro lugar habitação é o espaço físico onde um ente singular ou plural (família), organiza o centro da sua vida pessoal (em regra só esta, dado que, geralmente, o domicilio profissional será outro). Em segundo lugar, o problema associado a esta questão é que toda a gente pode prescindir de carro, ou se for premiado com o euro milhões, pode até prescindir de uma ocupação profissional, mas o domicílio é indispensável para todos. Para se casar, ou para ser ter família, ou para se ter alguém, ou até apenas para ser independente é preciso ter domicilio.
Surge o negócio da compra de casa, a outra hipótese era arrendar, mas era, porque não é, infelizmente, alguém(s), conseguiram fracassar a hipótese de ter um verdadeiro mercado de arrendamento em Portugal, fazendo da Lei n.º 6/2006 de 27 de Fevereiro Aprova o Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU), uma oportunidade perdida. Intencional? Mera incompetência legislativa? Não sei, nem acredito (se calhar ingenuamente) que os autores do diploma pretendessem que a mesma fosse inexequível. No entanto é. No Diário de Noticias de 10 de Setembro de 2007, o Presidente da Associação Lisbonense de Proprietários denuncia a inoperância do NRAU.
Em consequência disto, assistimos, por um lado, à continuação da degradação do parque imobiliário, como se pode observar pela miséria desertificada que são os centros históricos (e não só) das grandes cidades Portuguesas. E por outro lado, resultado ainda mais grave deste fracasso absoluto que é o RNAU, é o recurso continuado ao crédito que as jovens famílias se vêm obrigadas a fazer (excepto as que têm pais ricos, como apregoava um anuncio do Totta, de tal forma está a banca ciente da realidade). Tal recurso ao crédito seria útil, se o preço do dinheiro fosse baixo, se o mercado oferecesse boa retoma pelos imóveis. Se o nível de vencimentos não houvesse estagnado ou piorado de há sete anos para cá.
Como resultado desta conjugação factores, temos que as jovens famílias portuguesas se encontram agora num aperto sem precedentes na história recente do país. Por um lado não têm alternativa no mercado pois o arrendamento é caro pois o NRAU falhou na criação de condições para uma maior oferta de casas vagas. Por outro lado, os juros não param de aumentar, conjuntamente com a nova carga fiscal “socrática” que impende sobre os impostos das pessoas singulares e algumas colectivas (algumas, pois banca e finança passam alegremente ao lado, mantendo lucros do outro mundo), ficamos então em que posição? Que dinheiro tem uma jovem família para pagar estudos de filhos, para se educar comprando livros na livraria Barata, ou indo ao CCB assistir a um espectáculo, ou até ir a Santiago de Compostela mostrar ao filhotes um pouco da cultura Ibérico-Cristã?
A resposta é simples, não fica nada, zero. Os bancos levaram tudo, ao fim do mês não resta nada. Portugal será sempre um país de segunda enquanto os seus governantes de forma descomprometida com a banca, não criarem um forte mercado de arrendamento que crie alternativas ao jugo da banca. Mas não, atiram-se os jovens para as mãos da banca logo na universidade com os empréstimos para o curso (o que em outro país até seria uma boa medida, mas estamos em Portugal com os nossos condicionalismos), e o nosso governo congratula-se porque se livra de um problema e dá mais clientes à banca. Isto será assim até chegarmos ao “tutano” da grande “massa popular”. Depois disso logo se verá o que acontece, e até lá a banca (que é quem manda no país) ainda vai a tempo de se moderar e evitar aparecer como a grande culpada do que se possa passar a seguir… E para começar o por as coisas “nos eixos”, seria muito melhor para todos que se mudasse a lei das rendas (Ps. Para que conste não sou proprietário de nenhum prédio para arrendar).
2 comentários:
Concordo 100% com o conteúdo do artigo e gostaria de deixar umas perguntas que há muito não têm resposta:
1) Quando os bancos começam a "antecipar" o aumento dos juros por parte do BCE e este acaba por ñ os aumentar, não há aqui enriquecimento sem causa?
2) Nestas condições, o q a banca faz? Devolve o dinheiro q cobrou em excesso? É que nunca ouvi tal coisa...
uma nova lei das rendas, é precisa. Mas também, necessária seria, que fosse mais vantajosa, para que se tornasse uma alternativa à compra (emprestada uma série de anos) de casa...
Parabéns pelo novo blog!
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