segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Por as coisas em perspectiva


Hu Jintao, visita Portugal. Porquê? Para quê? Diz a imprensa que assinaram vários acordos a nível institucional e empresarial. Parece que a China poderá ser já dona de parte da dívida pública nacional, duvido mas, é possível.

Na falta de razões concretas que justifiquem esta vontade negocial da China para com o nosso pequeno rectângulo à beira mar plantado, vários comentadores têm brindado os leitores e telespectadores com justificações históricas, ligadas à nossa presença em Macau, outros optam por razões de ordem geográfica, relacionadas com a nossa presença em África, e por ai vai…

Acontece muito simplesmente que, por um lado a China não pensa mais em Macau, isto porque, muito simplesmente, esse dossiê está fechado, a China negociou o retorno do território Macaense e deu o tempo necessário a Portugal para se retirar. Resta dizer que nem sempre foi possível, na história recente de Portugal, deixar um território ultramarino com tanta dignidade e de forma tão organizada.

Quanto a África, e à suposta mediação que Portugal podia fazer para facilitar os negócios dos Chineses em Angola e Moçambique. Acontece que a China, para além da ex-URSS e dos EUA, ajudou os movimentos de libertação Angolanos e Moçambicanos a correrem com Portugal. Ou seja, desde os finais dos anos 60 que a China programou a sua entrada comercial em África, trocando as riquezas das nossas ex-colónias, primeiro por armas, e depois por maquinaria pesada e reconstrução de infra-estruturas. Portanto, a China não quer sequer ouvir falar de Portugal com “intermediário” de negócios eles fazem directamente, nas suas enormes embaixadas em Luanda e Maputo.

Então que quer a China de Portugal? A chave da resposta a essa questão está nas outras visitas que Hu Jintao fez aos países do sul da Europa, Grécia, e Itália incluídas. Parece-me claro que a China, na mais pragmática das filosofias orientais, perceptíveis na leitura rápida de um qualquer exemplar resumido da “Arte da Guerra” de Sun Tsu, estará, através da sua capacidade financeira, paulatina e tranquilamente, a criar condições para que a Europa enquanto mercado, se renda aos produtos Chineses, impedindo que os países do velho continente possam, em face das múltiplas manifestações dos desempregados europeus, vir a fazer política aduaneira, taxando os seus produtos de forma a torna-los menos concorrenciais no espaço europeu do que aqueles que são produzidos internamente.

E porquê começar por comprar os países do Sul da Europa? Essa é fácil… Porque são os mais fracos, os mais fáceis e baratos de comprar, aqueles que facilmente vêm a China como um salvador ou no mínimo como um novo-rico com bolsos fundos e disposto a gastar dinheiro. Acontece que, no dia em que tiverem que dizer que não à China, este “Hu Jintao” ou o próximo, farão nova visita, desta vez para explicar as “dificuldades” que Portugal e os países do Sul da Europa terão, se votarem a favor de qualquer medida aduaneira contra a China…

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